Dois atos anônimos de cidadania em torno ao obelisco de Belo Horizonte

23.06.2020

 

Recentemente, um leitor deste diário digital me enviou a foto que abre este texto. Mora na região central de Belo Horizonte e estava muito irritado com o fato de que, durante as manifestações de 'antifas', no passado 15 de maio, alguns dos participantes tinham deixado marcas de vandalismo a seu paso. Uma delas uma pichação no obelisco da Praça Sete, monumento histórico que é um dos símbolos representativos de da cidade.


A pesar de que a manifestação dos 'antifas' tinha por nome 'Marcha em Defesa da Democracia' e o movimento que a convocou diz ser antifascista e antirracista, eles cometeram o ato nada democrático de vandalizar o patrimonio público quase centenario, e por cima, o fizeram pichando com uma frase que nada tinha a ver com a convocação: “legaliza aborto ouçam as mulheres”.

 

 

Na nossa legislação vigente, a 'pichação' é considerada vandalismo e crime ambiental, com pena agravada pelo ato ser em monumento com valor histórico, podendo chegar até 01 ano detenção e multa, segundo o artigo 65 da Lei dos Crimes Ambientais de número 9.605/98.

 

Em torno ao obelisco há câmeras de video da Prefeitura de Belo Horizonte, pelo que seguramente há registro gráfico do delito. Até onde sei as autoridades nada fizeram contra os infratores.

 

Até o passado 13 de junho o monumento continuava pichado. Passou quase um mês e o prefeito, Alexandre Kalil, nada mandou fazer. E continuaria com as marcas de vandalismo se não fora por um pequeno grupo de cidadãos que nesse dia destinou tempo e recursos próprios para limpar o monumento.

 

Temos registro disso porque nosso leitor, que antes tinha sentido raiva pela pichação, posou pelo local, ponto habitual no percurso quotidiano a seu lar, viu a boa ação e fotografou os seis cidadãos que a realizavam. Eles contaram com apoio da Polícia Militar e de taxistas que estavam no local.

 

 

"Sabe, quem eram eles?", pergunto ao nosso leitor.

 

Me responde: "Não sei, mas quando conversei com eles brevemente para lhes manifestar minha alegria pelo que estavam fazendo um deles disse que eram católico e que não gostavam dessas ações contra a cidade, que infelizmente se depreda o bem público por motivos ideológicos e nossos governantes nada fazem, se eles se omitem, nós temos que agir".

 

Se você mora em Belo Horizonte e recentemente passou pela Praça Sete, saiba que viu aquele monumento limpo não graças ao 'zelo' do governo municipal, mas graças a um grupo de cidadãos anónimos cansados de desmandos e omissões. Um pequeno e belo exemplo de responsabilidade e subsidiariedade. É assim como cidadãos comuns constroem a cidade e a tornam um lugar para viver para se viver. Por outro lado, atos vandálicos e omissão das autoridades tornam a cidade um mau lugar para se viver.

 

E se você esta lendo estas linhas e vendo estas fotos é graças a um leitor ativo que se negou a que essa pequena e bela ação ficara oculta. Tanto a limpeza do monumento histórico quanto sua divulgação são atos de verdadeira cidadania que contrastam com a estúpida pichação dos 'antifas' e a injustificada omissão das autoridades.

 

[ D'Vox ]

 

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