A beleza feminina salvará o mundo

09.03.2020

 

Brasil | Chegou-me, por uma rede social, a notícia de mulheres que fizeram uma 'sessão fotográfica' representando as três deusas gregas: Tália – beleza e graciosidade, Eufrosina – felicidade e esperança e, por fim, Aglaia – criatividade e inteligência.

 

Me interessei, pois Graça é o que se espera de uma mulher. Abri a notícia e havia uma foto intitulada “Três atrizes interligadas por indumentária de tecido”, ao ler a notícia, não vi nada sobre graça ou representação do simbolismo das deusas, teoricamente ilustradas ali. Então me lembrei das antigas e verdadeiramente belas representações...

 

Quando Dostoiévski disse “A beleza salvará o mundo”, a mulher já era a personificação da própria beleza há milênios. Para os gregos, fundadores da literatura ocidental, a mulher sempre representou as virtudes, a prosperidade familiar e a perfeição estética, como é o caso das 'Três Graças', irmãs que transmitiam beleza e virtude ao coração dos homens.

 

Homero as representou em suas epopeias como companheiras de Afrodite e Hera, a primeira é a deusa do amor e da beleza, e a segunda, deusa das bodas, da maternidade e fidelidade conjugal. Na mitologia greco-romana as Três Graças se tornaram símbolo da perfeição clássica e foram pintadas em todos os estilos artísticos que sucederam, em especial pelas mãos de Rafael Sanzio e Botticelli.

 

Tenho citado o exemplo das 'Graças' como confirmação de que em todas as épocas – até chegarmos ao modernismo, a mulher foi representada não só como como modelo de beleza, mas de verdade e bem.

 

A famosa frase de Dostoiévski, repetida incessantemente de maneira isolada pode vir a simplificar um complexo sentido de beleza que ele mesmo considerou: ela é formada por estes elementos indissolúveis, ou seja, a beleza sem verdade é uma satisfação estética, a verdade sem beleza é irreconhecível e o bem sem verdade se torna ativismo.

 

Se perguntarmos a mulher moderna o que é beleza, certamente ela responderá algo sobre o padrão estético ou sobre a falta dele. É por isso que, atualmente, não enxergamos mais a beleza reluzente nas adaptações ideologizadas das grandes obras.

 

 

No quadro de Rafael Sanzio, suas Três Graças seguram maçãs – o fruto proibido – mas não as mordem, afinal, a Bela mulher não configura queda aos homens, ao contrário, possui a capacidade extraordinária de fazer com que os homens propendam ao bom e verdadeiro, transmitindo desde sua essência, os elementos salvíficos e transformadores.

 

Gregory Wolfe diz em seu livro 'A Beleza salvará o mundo' – inspirado na complexa análise feita por Dostoiévski, que não podemos desistir da modernidade por causa do modernismo.

 

É preciso resgatar esse valor que está ali, guardado por milênios, em páginas de livros e partituras, gritando que A Beleza, o Bem e o Verdadeiro podem salvar o mundo, querendo, por fim,  nos dizer: A essência feminina salvará o mundo, basta recuperá-la!

 

[ D'Vox ]

____

Luma Cecilia Costa é brasileira, fotografa e designer, participa da iniciativa cultural Casa Sol Invictus, fundadora e administradora do perfil Tolkenianos.

 

La imagen que abre o texto um detalhe de 'A Primavera', do italiano Sandro Botticelli, 1482; Galeria Uffizi, Florença. Dentro do texto, 'As Três Graças', do italiano Rafael Sanzio, 1504; Museu Condé, Chantilly, França.

 

 

 

Please reload

24 expresidentes repudian la interve...

Como se não tivesse havido eleição e...

1/15
Please reload

Términos del Servicio | Política de Privacidad

CR| opn: