'A maioria das mulheres não apoia o 8M': Tamayo


A maioria das mulheres não apoiam as mobilizações feministas do 8 de Março (8M), nem sua violência, nem sua agenda radical. Estas são palavras não de um homem, mas sim de uma mulher e não qualquer mulher, mas uma que dirige uma ampla rede feminina que integra vários países: Leonor Tamayo.

Esta espanhola, filóloga, casada e mãe de 10 filhos, ativista cívica é presidente da Women of the World, uma plataforma global reunindo entidades de todo o mundo que compartilham, entre seus objetivos, a defesa e promoção da identidade feminina, a complementariedade dos sexos e do valor humano e social da maternidade.

Leonor tem uma longa história de lutas em defesa das mulheres, mas critica o 8M há alguns anos. Ela considera que a data foi sequestrada por grupos radicais que nada tem a ver com o feminismo 'raiz', original, e pondera que outro 8M é possível e necessário.

DVox conversou com a ela e o diálogo está a seguir:

Leonor, o que está acontecendo com o 8 de Março? É realmente um dia de reinvindicações em favor das mulheres, de todas elas?

Em nome do 8 de Março e do feminismo, simplesmente passaram dos limites. Daquele feminismo original, que lutou por direitos verdadeiros que se negavam às mulheres, já não resta nada. Nós já temos estes direitos! Já somos iguais perante a lei.

Há coisas a melhorar? Sim! Mas a vitimização não favorece as mulheres comuns, apenas “coloca lenha na fogueira” para a política de esquerda. E assim permite estabelecer uma nova luta, não de classes, mas de sexos.

O feminismo está viciado em sua 'raiz' e vemos com clareza suas consequências somente agora ou o foram deformando progressivamente?

Acredito que o feminismo teve um significado e acabou. O feminismo de hoje não tem nada a ver com o do passado, o da chamada 'primeira onda'. O que vemos hoje é apenas manipulação ideológica e instrumentalização das mulheres para fins políticos.

Mas, atualmente não há desigualdade social entre homens e mulheres?

Na maioria dos países de cultura ocidental, não. Há direitos iguais e são iguais perante a lei.

No entanto, acontece uma forma diferente de discriminação. A mulher não está discriminada por ser mulher, mas por ser mãe. Há assédios constantes à maternidade, especialmente no mercado de trabalho.

Mas isto não se refere ao feminismo 'roxo' que não suporta a maternidade nem a dedicação à família.

Outra coisa, diferente, são outras culturas em que é claro que sim, que essa discriminação injusta acontece, algo que elas também não falam.

Então, hoje o feminismo busca a igualdade?

Não. Busca o enfrentamento e uma certa 'vingança' ou 'revanche' contra o homem. Busca a supremacia feminina discriminando o homem, busca privilégios para as mulheres, busca cotas e busca diminuir o homem, privando-o até mesmo da presunção de inocência.

Hoje em dia a palavra de uma mulher vale mais que a de um homem. Isso é igualdade?

Parece que os grupos feministas procuram anular o homem...

Totalmente! Buscam submetê-lo.

Então não somos todos os homens maus?

[risos]

Que existem homens maus, sim, existem; que existem machistas, sim; como também existem mulheres más e destrutivas.

Os homens são os companheiros de nossas vidas. E os queremos! São nossos pais, esposos, irmãos, amigos, filhos. São a outra metade do mundo, que faz com que a sociedade forme um círculo perfeito integrado por homens e mulheres.

Paradoxalmente, ao anular o masculino também anulam o feminimo...

Sim. Há uma rejeição das diferenças que nos enriquecem e que significam complementariedade; ou seja, homens e mulheres juntos, casais, matrimônios, filhos, famílias. A conciliação e não o confronto.

Mas o feminismo atual, o 'roxo', é filho legítimo do marxismo e conserva sua lógica interna. Por isso, a complementariedade entre homem e mulher, a família, o matrimônio e os filhos são inimigos do feminismo.

Por isso que abraçaram a ideologia de gênero?

Sim. Não por acaso.

A que você atribui a violência que caracteriza atualmente a militância e as manifestações feministas?

Ao ódio, à mentira, à vingança e ao ressentimento. Todos se expressam na violência. Lá não há diálogo. Não entendem de paciência, perdão, serenidade, alegria.

É possível outro 8M?

É possível e necessário.

O 8M de hoje confronta a mulher contra o homem e simplesmente nos negamos que seja assim. Os homens – repito – são nossos companheiros, nossos aliados, não nossos inimigos.

Hoje o 8M mostra uma imagem da mulher radicalizada, ideologizada que rejeita a maternidade e tudo o que é profundamente feminino. Mas a grande maioria das mulheres não se identifica com isso.

Necessitamos um 8M que fale da mulher, de sua feminilidade, do que ela realmente necessita, de suas dificuldades reais cotidianas, que valorize a maternidade. Necessitamos um 8 M que incorpore também o homem porque juntos tudo funciona melhor.

Entre machismos e feminismos, qual é o caminho em que vocês apostam?

Apostamos no caminho da unidade, na complementariedade, na verdadeira igualdade e liberdade.

[ D'Vox ]

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Tradução: André Parreira, casado, pais de 7 filhos, formador e escritor de temas sobre Matrimônio e Família, professor de Física e consultor em Tecnologias Educacionais.

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