A ministra Damares e a turma do 'Kakay'

04.02.2020

 

A frase de Antônio Carlos de Almeida Castro, 'Kakay', advogado dos corruptos endinheirados, que desfila de bermudas no Supremo Tribunal Federal (STF), é testemunho eloquente de um tipo de personalidade que coloniza a atual oposição brasileira.

 

Segundo nota publicada na coluna Radar, da Veja, Kakay escreveu o seguinte sobre Damares Alves para um grupo de juristas no WhatsApp: "Foi uma pena os pais desta idiota não terem feito o que ela prega. Se não tivessem trepado, estaríamos livres dela". Não satisfeito com a repercussão da grosseria chula, o advogado ocupou espaço no Estadão digital com um artigo em que tenta, de modo patético e inútil, bater palmas para si mesmo. Não teve boa parceria pelo que vê nos comentários ao texto.

 

Parcela significativa da oposição brasileira, no entanto, ainda não entendeu o resultado da eleição de 2018. Instituíram para seu uso pessoal, como nécessaire, conceitos empacotados segundo os quais o país foi tomado por alguns homens e mulheres intrinsecamente perversos, com ideias conservadoras e liberais. É como se dissessem: "Querem recompor tudo que lutamos para desconstruir - família, ordem, religião, virtudes, amor à pátria. Acreditam que direitos e deveres andam juntos e que liberdade impõe um vínculo sólido com responsabilidade". E deduzem:  "Essa gente não presta!". Kakay talvez complementasse esse despautério com elegância lacradora: "Melhor seria se os pais dos conservadores não tivessem trepado e eles não tivessem nascido".

 

No entanto, a "idiota" assim qualificada por ele é, logo após Sérgio Moro, o segundo nome mais prestigiado junto à opinião pública no conjunto dos ministros e representa, em muitos aspectos, o discurso vencedor das eleições de 2018. Bolsonaro foi eleito, principalmente, porque segurou a bandeira do discurso conservador, que ressoou na alma de milhões de eleitores de muitos bons professores, de muitos pais conscientes do efeito tóxico da permissividade transformada em sinônimo geneticamente defeituoso de liberdade.

 

A Dra. Damares Alves, que lançou nesta segunda-feira, 3 de fevereiro, junto com o ministro da Saúde, a Campanha de Prevenção à Gravidez na Adolescência, tem maior conhecimento e experiência nos temas em que atua do que o inteiro colegiado de seus críticos.

 

A má vontade deles espelha a maldade de seu querer, que torna opaco o que é cristalino. E como é cristalino o que ela tem dito sobre o tema da gravidez precoce! Qual mãe, qual pai ficará aborrecido se seus filhos, em adição ao que ouvem em casa, forem levados a refletir sobre as consequências e responsabilidades inerentes à atividade sexual? Qual mãe, qual pai ficará tranquilo ao saber que a filha de 12 ou 13 anos, sob pressão psicológica própria ou externa, está deitando com um adolescente imberbe? Que embaraço matemático existe em compreender a relação de causa e efeito entre menos "trepadas" precoces e menos gravidezes?

 

Isso nada tem a ver com cultura medieval, com colocar Rapunzel na torre da bruxa, nem com cinto de castidade. E tem tudo a ver com zelo, prudência, responsabilidade e saúde pública.

 

[ d'Vox ]

___

Percival Puggina é membro da Academia Rio-Grandense de Letras, arquiteto, empresário, político e escritor, integrante do grupo Pensar+. Tem um blog pessoal: Puggina.org.

 

Please reload

Quando o remédio vira veneno

Gobierno y partido oficial hacia el...

1/15
Please reload

Términos del Servicio | Política de Privacidad

CR| opn: