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Elomar - O mestre trovador do Brasil e sua obra monumental

27.10.2019

 

Talvez seja difícil imaginar a hibridação da cantoria nordestina, com o estilo flamenco, a seresta, o tango, o hinário cristão, o barroco e a música erudita tradicional, todos unidos em contextos harmônicos... Isso ocorre até ouvirmos Elomar Figueira Mello! Claro que seria injusto dizer que não tivemos grandes nomes da música brasileira que lograram amalgamar o erudito e o popular, porém, essa excelsa união que já não nos impressionava desde Carlos Gomes e Villa Lobos, o 'Sertano' Medieval ornou com maestria, fazendo de sua obra ainda mais especial. Ornou, ainda, com sua rica língua vernácula e seu dialeto ‘sertanezo’, como ele gosta de chamar.

 

É importante ressaltar a riqueza poética de Elomar, destilando das paisagens e dos habitantes do sertão nordestino, imagens simbólicas de altíssimo valor estético. E nesse universo singular e universal ele discerne entre seus dois sertões, um geográfico, político e limitado e outro, transcendente e onírico, o "sertão profundo”, que Embeleza, com maiúscula, ainda mais sua obra.

 

Aqui está a chave de interpretação da magistral obra elomariana. É do contraste entre essas duas realidades complementares, mas opostas, que o artista consegue nos introduzir no templo do Belo, que está na força dos atos da vida cotidiana do sertanejo cristão, devoto, homem de fé, corajoso e forte como a vegetação resiliente da caatinga. E tudo isso consegue nos elevar e resgatar a esperança perdida ou, pelo menos, negligenciada nesses tempos modernos. Como diz o próprio Elomar: “Meu discurso consta de cantar uma realidade que me circunstância, densa, amarga, às vezes trágica, mas com um sonhar, com uma proposta de sonhar, de esperança. No final, vencer a batalha”.

 

Esse contraste de realidade e sonho, luz e trevas, tão bem poetizado no sertão profundo é ainda mais perfeitamente emoldurado pelas harmonias inspiradas do compositor, que bebe aos borbotões do que há de mais sublime na Música Barroca, estilo este que, nas Minas Gerais, ganhou feição própria e desenvolveu-se de forma intensa. Este Estado, com o qual Elomar tem uma relação muito próxima, tem o maior número de estudiosos, músicos e instrumentistas dedicados à sua significativa obra. Na sede da Fundação Cultural Casa dos Carneiros, antiga fazenda do compositor, há uma sala especial dedicada à Escola Lírica Mineira.

 

Não é por outro motivo que o Instituto Cultural Princesa Isabel busca fazer uma referência e homenagem a esse artista genial no nosso projeto de construção do Monumento à Música Barroca, em espaço anexo à Estação da Cultura Presidente Itamar Franco. O projeto faz referência a Elomar Figueira Mello, por ser o compositor brasileiro em atividade que sofre maior influência do estilo Barroco.

 

Espera-se que esse projeto se converta num incentivo a mais para a visitação turística ao local, considerando que o artista possui um universo de fãs e admiradores extremamente fiel, com abrangência internacional. Elomar é o único artista brasileiro a receber o prêmio internacional do Brasil no Festival Ibero-Americano da Alemanha Ocidental em 1986.

 

Considerando que a formação cultural começa pela educação do imaginário, podemos concluir a importância da valorização dessas obras para o desenvolvimento do nosso povo. Você pode ajudar a levantar essa obra monumental assinando essa petição para Assembleia Legislativa de Minas Gerais solicitando a "aprovação para construção do Monumento à Música Barroca na sede da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais em BH".

 

Deixo com você, caro leitor, uma bela amostra da obra elomariana: 'Campo Branco'. Logo após do vídeo pode ler a letra desta bela música.

 

 

Campo branco minhas penas que pena secou
Todo o bem qui nóis tinha era a chuva era o amor
Num tem nda não nóis dois vai penano assim
Campo lindo ai qui tempo ruim
Tu sem chuva e a tristeza em mim
Peço a Deus a meu Deus grande Deus de Abrãao
Prá arrancar as pena do meu coração
Dessa terra sêca in ança e aflição
Todo bem é de Deus qui vem
Quem tem bem lôva a Deus seu bem
Quem não tem pede a Deus qui vem
Pela sombra do vale do ri Gavião
Os rebanhos esperam a trovoada chover
Num tem nada não tembém no meu coração
Vô ter relampo e trovão
Minh'alma vai florescer
Quando a amada a esperada trovoada chegá
Iantes da quadra as marrã vão tê
Sei qui inda vô vê marrã parí sem querer
Amanhã no amanhecer
Tardã mais sei qui vô ter
Meu dia inda vai nascer
E esse tempo da vinda tá perto de vin
Sete casca aruêra cantaram prá mim
Tatarena vai rodá vai botá fulô
Marela de u'a veis só
Prá ela de u'a veis só.

 

[ D'Vox ]

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Luma Costa é fotografa e designer brasileira, participa da iniciativa cultural Casa Sol Invictus.

 

: https://www.citizengo.org/pt-pt/signit/174313/view

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