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O Senado do Brasil, o Vaticano e o projeto de internacionalização da Amazônia

 

Em 17 de setembro de 2017, Helena Calle publicou uma reportagem no jornal El Espectador com a foto do globalista Martín von Hildebrand (fundador da OnG Gaia Amazonas e membro da Gaia Foundation, com sede no Reino Unido) apresentando o seu projeto de integração do oceano Atlântico, da Amazônia e dos Andes, o chamado “Corredor Triplo A” ou “Caminho da Anaconda”, ao chanceler da Pontifícia Academia de Ciências, o argentino Dom Marcelo Sánchez Sorondo.

 

E explica: “O corredor teria um terço de um dos territórios mais importantes para o meio ambiente global. Atravessaria oito países sul-americanos e envolveria 385 comunidades indígenas e 30 milhões de pessoas.” E mais: “O Corredor Tríplice A é uma ideia que vem sendo fomentada há menos 30 anos e que somente agora, após o compromisso dos países latino-americanos (exceto Equador e Chile) na Cúpula de Paris para reduzir o desmatamento da Amazônia a zero, tem um compromisso político internacional importante”. Em 16 de fevereiro de 2015, o então presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC, acordo este rechaçado pela população colombiana em plebiscito), disse que iria propor o corredor ecológico ao Brasil e a Venezuela, entusiasta da proposta de Martín von Hildebrand.

 

Segundo o professor visitante de Engenharia Hidráulica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rogério Maestri, “se efetuado, o Triplo A seria composto em 62% por território brasileiro, 34% por território colombiano e 4% por território venezuelano. Ou seja, a gestão do ‘corredor’ teria que ser tripartite, o que, de acordo com Maestri, facilitaria a dominação estrangeira da região amazônica, especialmente porque o projeto da Gaia Foundation envolve o conceito de autogestão dos povos indígenas”. Para Maestri, o fato da Gaia Foudation estar envolvida com o corredor AAA sinaliza que há “uma direção em termos de ocupação de espaço por outros países”. E acrescenta: “Se se olha a tradição europeia, vê-se que eles enxergam muito longe… Não é, por exemplo, como o americano, que é um pouco mais intempestivo, que tenta invadir no momento. Os ingleses, europeus, em geral, têm um raciocínio mais em longo prazo. Então eles vão implantando essas pequenas coisas, esse tal corredor ecológico, que pra mim não é um corredor, é uma verdadeira ocupação”. A área coberta pelo corredor Triplo A possui grandes reservas de riquezas naturais (“água, mineiros e biodiversidade”), sendo que “o corredor abarcaria a região acima do Rio Amazonas – partes mais altas que, sendo mais secas, seriam mais aproveitáveis para atividades lucrativas, como a criação do gado”.

 

A proposta do corredor triplo A foi rechaçada pelo general Villas Boas, em twitter, de setembro de 2018, e também pelo presidente Bolsonaro.

 

 

 

O fato é que o Corredor Triplo A, defendido com afã por Martín von Hildebrand, é um atentado à soberania nacional e integridade territorial brasileira. Mas Dom Marcelo Sánchez Sorondo, assim como o cardeal Dom Cláudio Hummes, abriram as portas do Vaticano para que Hildebrand participasse de eventos dando palestras, em atitudes de acolhida. Estariam com isso endossando tal iniciativa?

 

Por isso, no passado 22 de agosto, uma coalizão de movimentos cidadãos, da qual eu formo parte com o Movimento Legislação e Vida, encaminhamos ao Senado Federal um dossiê com amplas informações sobre como diversos organismos internacionais tem agido para buscar o apoio do Vaticano para tais fins e protocolamos - através da senadora Selma Arruda - um pedido para que o cardeal Hummes, presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), seja convidado a uma audiência pública para tratar desse assunto e oferecer esclarecimentos.

 

Cabe, ao cardeal Hummes e a Dom Sánchez Sorondo dar explicações ao povo brasileiro sobre até que ponto o Vaticano está ou não comprometido em apoiar o projeto de Martín von Hildebrand. Se não estiver, consideramos importante que façam uma declaração pública inequívoca, para que não paire dúvidas. Apoiar o Corredor Triplo A é fomentar a instabilidade e conflitos na região, com graves conseqüências, que nada tem a ver com a missão da Igreja, que é a evangelização.

 

[D'Vox]

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Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida, especialista em Bioética.

 

O conteúdo deste e de todos os artigos publicados no D'Vox exprimem a opinião de seus autores e não necesariamente do jornal ou de seus editores.

 

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