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A criminosa ação conjugada de hackers, Greenwald e 'The Intercept'

06.08.2019

 

A publicação The Intercept, do advogado americano que se diz jornalista, Glenn Greenwald, residente no Brasil, dizendo-se interessado no conteúdo das mensagens trocadas entre as autoridades públicas, captadas pela ação criminosa do hacker, Walter Delgatti Neti, obteve deste aquelas mensagens contendo conversas entre dois ou mais interlocutores.

 

Delgatti invadiu os telefones celulares dessas autoridades, atuando junto com dois ou três outros comparsas, presos e investigados pela Polícia Federal, captou aquelas mensagens por um complexo processo e as entregou a Greenwald.

 

Este, por sua vez, vem divulgando aquelas mensagens, com o auxílio do jornal Folha de São Paulo e da Revista Veja, de modo parcelado, para causar supostamente um maior impacto negativo à reputação e à imagem do Ministro Sérgio Moro, ex-juiz da 13ª vara de Curitiba e do Procurador da República, Deltan Dallagnol, a cargo do julgamento e da acusação dos implicados em atos de corrupção, desvendados pela operação lava-jato.

 

A ação de The Intercept teria como objetivo tentar mostrar que Moro teria atuado com parcialidade no julgamento de Lula, empenhando-se na sua condenação, orientando, por vezes, Dallagnol sobre como agir em determinadas circunstâncias.

 

O contato do Walter Delgatti com Glenn Greenwald teria sido feito através de Manuela de Ávila, do Partido Comunista do Brasil (PC do B), ex-deputada e candidata à Vice-Presidente da República, na 'chapa' de Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), derrotados nas últimas eleições, em que foi vencedor Jair Bolsonaro.

 

Delgatti diz que ninguém lhe encomendou o hackeamento feito e que ele nada recebeu pela entrega do material a Greenwald, algo em que a Polícia Federal terá tido dificuldade em acreditar, já que centenas de telefones, mais de mil, segundo a Polícia federal, teriam sido invadidos, fato que indica, pelo menos, que ele não teria condições de agir sozinho, numa empreitada dessa dimensão, nem interesse ou incentivo para fazê-lo gratuitamente.

 

Aliás, Gustavo Henrique Elias Santos, um dos comparsas, declarou que Delgatti havia lhe dito que ele iria entregar o material ao PT, não tendo declinado o nome da pessoa a quem o faria, nem se teria havido alguma contrapartida, como certa soma em dinheiro, em troca de tal entrega.

 

A ser essa afirmação de Santos verdadeira, e nada milita em favor de que o não seja, é inacreditável que Delgatti tenha procurado, espontaneamente o PT, tanto mais que era filiado ao partido dos Democratas (DEM), antípoda do PT, sendo crível, por isso mesmo, que tenha vendido o material a esse partido político que, ou se dispôs a comprá-lo, sem uma sua encomenda, anterior, ou o fez, sob sua encomenda, sendo qualquer dessas duas hipóteses irrelevantes, sob o ponto de vista da gravidade dos fatos e de sua eventual qualificação como crimes.

 

A verdade é que foram encontradas na conta do Delgatti movimentações que somariam 600.000 reais e na de Santos 400.000 reais e a explicação sobre a origem dessas quantias não convence. Delgatti teria ganho essa alta soma com transações em bitcoins [1]. Mas, perguntado, sobre qual a origem do primeiro capital aplicado, não soube dizer.

 

Do mesmo modo, Santos declarou que ganhara a quantia que detinha com aplicações financeiras, mas perguntado em que tipo de aplicação o dinheiro havia sido investido, disse, igualmente, que não sabia. Por outro lado, Delgatti afirmou que ninguém havia lhe ensinado como hackear os telefones, que aprendera sozinho, pois era um autodidata!

 

Não obstante ter sido invadido grande número de telefones, a verdade é que The Intercept divulgou apenas o que lhe interessava: os diálogos entre o ex-juiz Sérgio Moro, hoje Ministro de Justiça e de Segurança Pública e o coordenador da força-tarefa das operações da lava-jato, o Procurador da República Deltan Dallagnol [2], aquela, símbolo do combate incansável à corrupção em que nomes importantes da política nos dois Poderes, o Legislativo e o Executivo foram investigados, estando grande número deles presos, ou em vias de o ser.

 

De tudo se tem concluído que o objetivo da divulgação das mensagens, todas relativas a conversas entre Moro e Dallagol, selecionadas dentre centenas de outras captadas criminosamente, teria tido o objetivo de, com base nelas, pedir-se a anulação do julgamento e da condenação do ex-presidente Lula, assim como enfraquecer a operação lava-jato, minando-lhe o prestígio de que goza junto à população do país.

 

Nada disso, muito mais uma tão grande empreitada, se faria a troco de nada, sem uma grande máquina humana por detrás de tudo, capaz de gastar grandes somas de dinheiro para se alcançar o objetivo desejado.

 

[ D'Vox ]

____

Cesar Mata é advogado e colunista do D'Vox, mora em São Paulo, Brasil. Você poder ler seus artigos no seu blog  'Atualidades'.

 

Notas:


[1] Criptomoeda descentralizada do mundo, que permite pagamentos em transações online e, segundo se diz, rápidas e seguras.

 

[2] Quis-se mostrar, através dos diálogos mantidos entre Moro e Dallagnol, que teria havido uma orientação do juiz ao procurador para que se alcançassem os resultados por ele pretendidos. Não vi nada demais nesses diálogos a não ser o zelo de dois competentes servidores públicos, com um largo prestígio no meio da população, para alcançar o resultado visado: uma boa condução dos trabalhos para julgar os implicados, com a condenação pelo juiz de muitos que a mereciam e a absolvição de numerosos outros que também a mereciam.

 

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