Jair Bolsonaro: o homem e o Presidente

30.07.2019

 

Dada a enxurrada de críticas que o Presidente da República sofre diariamente, não tanto pelos seus atos, mas pelo que fala, é necessário, para que se emita um juízo de valor sobre elas, analisar o perfil psicológico de Bolsonaro, sob o duplo de ângulo de homem e de Presidente.

 

O que ocorre é que geralmente a pessoa eleita para esse alto cargo, procura ajustar a sua personalidade a um modelo, por assim dizer, de alguém que age e fala o politicamente correto, aquilo que é natural num determinado meio social, na medida em que se trata de algo que não traz consigo nenhuma novidade que possa chocar ou, pelo menos, chamar a atenção do público, em especial dos formadores de opinião, como a mídia.

 

Jair Bolsonaro não é assim: ele é mais homem do que Presidente, isto é, é mais ele mesmo do que um Chefe de Estado ideal, aquele cujas ideias, atos e palavras são geralmente bem aceitas, porque não discrepam do habitual na opinião pública, daquilo que está como que na linha de tradição do que vem ocorrendo.

 

Até certo ponto, também o ex-Presidente Lula era em parte assim, espontâneo, por vezes até grosseiro, mas, não obstante, era aceito com  a maior naturalidade por essa mesma mídia, talvez porque esta se identificasse mais com a ideologia dele, da esquerda, ou, então, porque o ex-Presidente, na preocupação de agradar os meios de comunicação, era pródigo na concessão de anúncios estatais e de outras benesses com o dinheiro público.

 

Bolsonaro preza muito o dinheiro público, tem demonstrado isso, até aqui, sem margem a quaisquer dúvidas e isso leva certos setores da sociedade, cujos interesses se veem contrariados, a não dar tréguas, nas críticas que lhe fazem.

 

Mas, apesar de Bolsonaro ter sido eleito por uma maioria cristã e conservadora da população brasileira, cujos valores e aspirações o Presidente tem querido implementar, no cumprimento de suas  promessas, feitas na campanha eleitoral, embora nem sempre seja nisso bem-sucedido, seja por falta de apoio do Congresso Nacional que, como se sabe, vota ignorando os seus representados, seja pela permanente ameaça de intervenção do Supremo nos atos próprios do Executivo, em nome da apreciação deles à luz da Constituição Federal, o Presidente tem feito o melhor que pode para corresponder àqueles anseios da parcela da população que o elegeu.

 

Creio que, se se fizesse essa distinção, entre o homem e o Presidente, seria mais fácil entender e aceitar certas afirmações de Bolsonaro, sem o ataque generalizado e agressivo que se lhe tem feito e que, se não tem outros inconvenientes, tem, certamente, o de lhe atingir a imagem e a reputação.

 

Aliás, era obrigação da mídia silenciar sobre os seus defeitos, já que não ressalta suas qualidades e as boas realizações do seu Governo, que as há e muitas, [1] sem se falar nas qualidades pessoais do Presidente [2].

 

Há de se convir que ele é um homem honesto e que tem conduzido sua administração, sem a prática de qualquer ato de corrupção que se tenha apontado na sua administração e mais, sem que tenha complacência com ela, até mesmo no seu trato com o Congresso Nacional.

 

Ao invés de se ver isso como uma virtude, sobretudo a última, tem, pelo contrário, sido frequentemente acusado de falta de "articulação política" com o Congresso Nacional, ao que o Presidente responde, com toda a razão: não sei o que é isso de articulação política, minha obrigação termina quando um projeto de lei é submetido à apreciação do Legislativo.

 

De fato, o Presidente não tem mais do que aspirar ao bom resultado dessas propostas, já que não está nas suas mãos empenhar-se mais do que isso, pois por ter sido erradicada por ele a política do “toma lá, dá cá”.

 

E quanto à aprovação dessas propostas, porque cabe ao Congresso Nacional, daí em diante,  sem qualquer articulação que parta do Presidente, cumprir sua obrigação, de aprovar tudo o que seja do interesse do país, nos limites da lei e da Constituição.

 

Como se vivia no país, num ambiente de desenfreada corrupção, nos domínios daquelas duas Casas legislativas, era só mediante a tal "articulação política" que elas agiam para aprovar as propostas de lei, apresentadas pelo Executivo.

 

Isso acabou, graças às operações da lava jato que pôs a descoberto aquela inaceitável rede de corrupção; vivemos assim em outro momento e em outro ambiente, saudável, sem corrupção e ninguém deve atrever-se a querer trazê-la de volta com ardis e subterfúgios que eram habituais.

 

Cabe, assim, ao Presidente da República o mérito de, com esse tipo de relação, ter estimulado o Congresso Nacional a ter vida própria, trabalhando muito mais do que o vinha fazendo, até mesmo nos projetos de lei, de há muito parados naquelas Casas legislativas.

 

Bem faz assim o Presidente em agir desse modo no seu Governo e é de esperar e  desejar que assim continue.

 

[ D'Vox ]

____

Cesar Mata é advogado e colunista do D'Vox, mora em São Paulo, Brasil. Você poder ler seus artigos no seu blog  'Atualidades'.

 

Notas:

 

[1] Já está aprovada no primeiro turno, na Câmara dos Deputados, a Reforma da nova Previdência, abrangente e ambiciosa, com uma economia prevista de quase 1 (um) trilhão de reais, por dez anos; foram concedidas algumas obras importantes de infraestrutura, tais como portos, aeroportos, uma estrada de ferro de longo alcance e rodovias; já foi iniciado um extenso programa de privatizações, melhorou a segurança pública com a queda de criminalidade que aponta índices que beiram a 25%, em todo o país; no plano internacional, foi concluído o acordo do Mercosul com a União Europeia, após mais de 20 anos de negociações; acordada também com a China a exportação de derivados do leite, em negociação desde o ano de 2009 e assim por diante. Tudo isso em seis meses, por aí podendo se ver o que mais o Governo do Presidente Bolsonaro fará até o final do seu mandato.

 

[2] Trata-se de um homem de vida limpa, sem nenhuma acusação de corrupção, nos 28 anos em que atuou como deputado, no Congresso Nacional. Levou essa virtude para o seu Governo, nomeando para Ministros, técnicos de alta qualificação, sem quaisquer entendimentos ou conchavos com os políticos, deputados ou senadores, como solía acontecer nos Governos passados, da esquerda. E tem mantido esse modo de governar sem concessões desse tipo aos membros do Congresso Nacional.

 

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