Crônica: como os católicos de Belo Horizonte 'dobraram' ao prefeito Kalil

22.07.2019

 

Lembra que na semana passada informei a você que o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, insultou publicamente aos cidadãos que não apoiam a agenda LGBT?

 

Pois bem, ele voltou a ofender a uma ampla parcela da população em menos de uma semana: seu governo promoveu e financiou um evento chamado 'Coroação de nossa senhora dos Travestis', no marco da 'Virada Cultural' da cidade, um festival artístico que teve lugar na noite deste sábado, 20 de julho, e na madrugada do domingo, 21.

 

Kalil, mais uma vez, apostou no escândalo e na afronta, mas desta vez perdeu. Os fieis católicos de Belo Horizonte se articularam, pressionaram desde varias frentes ao mandatario, e em menos de 48 horas a apresentação blasfema foi cancelada. E, acredite, os católicos tiveram nessa luta o apoio de evangélicos.

 

Esta não é a primeira vez que Kalil volta sobre seus passos desde que assumiu o governo da capital mineira em janeiro de 2017, mas é a primeira vez que rectifica em um assunto que tem a ver com a agenda de valores.

 

Um ato blasfemo

 

O que acontece na 'performance' denominada 'Coroação de nossa senhora dos Travestis'?


Entre outras coisas, depois de uma 'procissão', um homem vestido de mulher, que representa a Maria, é coberto com um 'manto' que, na verdade, é uma bandeira 'transgênero', e logo é solenemente coroado. Ao longo ‘rito’ cantam: “trave, trave, travesti Maria; trave, trave, travesti reina”. Uma paródia do hino mariano 'A treze de Maio'.

 

Uma caricatura das piedosas cerimônias em honra de Maria, a Mãe de Jesus Cristo, que se realizam em milhares de paróquias ao longo de todo o país, especialmente nos meses de maio e outubro.

 

Após de 'coroar' ao travesti, é proclamada uma espécie de 'oração' para pedir sua 'proteção', mas fazendo uso de 'gírias' próprias da chamada 'comunidade LGBT'. Alguns desses neologismos chegam a ser ofensivos:

 

"Nossa Senhora das Travestis, cubra-nos com seu oxó sagrado! Passe o lacre contra todo atraque que possa vir de qualquer marvã. Que eu tenha força pra grudar naqueles que fazem a . Aquenda em seus braços meus sonhos para que meu close seja certo. Que nenhuma mapoa ou ocó me olhe torto nas ruas. Dai-me a sabedoria da fechação;  que eu, com as beasi abertas, me aquende em seu santo colo. Disa com qualquer curriola e cuida de mim, pois, como filha, sei que nasci daí. Vráaaaa!".

 

'Oxo', por exemplo, é homem feiticeiro do candomblé, mas também é uma palavra usada entre homossexuais para se referir à 'camisinha' ou preservativo. E 'aquendar' significa várias coisas: esconder, flertar, copular.

 

A oração é dita por um 'ator' e repetida pelo publico, ao tempo que alguns 'devotos' se prostram por terra.

 

Tudo isso acontecería no sábado, 20 de julho, às 20h, começando às portas da tradicional Igreja de São José, no coração da cidade. No vídeo a seguir, você pode ver o que até aqui descrevi. As imagens são da mesma 'performance' apresentada no ano pasado no Festival Internacional de Teatro, outro evento promovido e financiado pela Prefeitura.

 

 

Para qualquer verdadeiro católico, isso é blasfemo, é escárnio e ultraje a sua fé. Mas também é um crime contra o sentimento religioso de acordo com o ordenamento jurídico do país.

 

Segundo o advogado Sérgio Fernando Pinho Tavares, a montagem "ofende a fé de milhões de brasileiros e incorre em crime tipificado no artigo 208 do nosso Código Penal, que pune o fato de escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; de impedir ou perturbar cerimônia, ou de vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso".

 

Em declarações a D'Vox, disse que "no ato, supostamente artístico, se escarnece do povo cristão católico e há vilipendio ao culto religioso, pois a coroação de Nossa Senhora é um ato de piedade profundamente querido e respeitado no Brasil, e especialmente entre o povo mineiro; considero que aqui comete crime tanto quem faz a apresentação, quanto quem a financia".

 

"Causa perplexidade, ainda, que um grupo social que cobra da sociedade respeito e tolerância, não tenha esse respeito e tolerância para com a fé e os valores dos cristãos católicos", apontou.

 

A mobilização de católicos

 

A mobilização dos católicos teve suas primeiras expressões públicas na manhã da quinta-feira, 18 de junho, com dois fatos.

 

O Instituto São Pedro Alcántara (ISPA) divulgou uma petição na plataforma CitizenGo dirigida ao prefeito exigindo o cancelamento do ato blasfemo financiado com recursos públicos, que ganhou força rápidamente.  Ao final do dia já tinha atingido mais de 10 mil apoios. 


E a associação laical Sou Católico (SC) divulgou um vídeo fazendo um chamado à mobilização para impedir que a 'coroação' acontecera. A gravação 'correu' velozmente pelas redes sociais. Veja o vídeo:

 

 

Em declarações a D'Vox, o presidente de SC, Samuel Ataide, disse: "Esse ato supostamente 'artístico' é uma agressão frontal contra a fé católica e é financiado com nossos impostos. Uma coisa assim não pode ser tolerada. Nós não pedimos, mas exigimos que o prefeito cancele esse absurdo e peça desculpas".

 

Naquela mesma noite, SC convocou um ato de desagravo mediante o rezo do Rosário às portas da Igreja de São José, às 19 horas, caso a pressão sobre o prefeito não tivera o efeito desejado. Se a 'performance' se realizaba às 20 horas, após do terço os fieis agiriam de forma pacífica para neutralizar a apresentação.

 

O primer político a agir... um evangélico

 

Por volta das 9 horas desse dia, alguns leigos católicos foram até a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) para pedir aos vereadores intervirem. Bateram nas portas dos políticos católicos e, depois dos evangélicos. E foi um vereador evangélico quem, indignado pelos fatos, acolheu o pedido.

 

Jair di Gregorio, presidente da Frente Cristã de vereadores da CMBH, comprometeu-se exigir ao prefeito o cancelamento da 'performance' e mobilizar ao bloco para pressionar nesse sentido. Ademais, através de um vídeo, exprimiu sua solidariedade e qualificou como inaceitável o ataque à fé católica. Veja o vídeo:

 

 

Outros católicos foram para o Ministério Público, ou entraram em contato com parlamentares estaduais e federais. Dois legisladores católicos manifestaram seu repúdio à 'performance' blasfema nas redes sociais.

 

O deputado Eros Biondini disse que recebeu centenas de mensagens de pessoas que, como ele, estão indignadas com a 'coroação' pois é "uma zombaria com nossa fé e uma grave falta de respeito que nós não podemos aceitar".

 

O legislador enfatizou que não é a primeira vez que se agride a fé durante a administração de Kalil e lembrou da exposição blasfema 'Faça Você Mesmo Sua Capela Sixtina', do pintor Pedro Moraleida, que em 2017 gerou forte indignação entre os cristãos da cidade.

 

Veja o vídeo de Biondini:
 

 

 

O deputado estadual Cleiton Oliveira disse que a 'coroação' era um ató de "vilipendio, desrespeito e sacrilegio contra nossa fé católica" e pediu intensificar a mobilização para "impedir que isso possa acontecer".

 

Orientou para ir ao Ministerio Público e a ir até a Prefeitura para exprimir "nossa indignação e lembrar ao Prefeito que as eleições estão muito próximas, e que o ano que vem os católicos de Belo Horizonte, que são a maioria, não vão se esquecer do que aconteceu este final de semana".

 

E pontuou: "esses grupos que se dizem minoria e que pedem respeito são os primeiros a agirem de forma totalitaria e os primeiros a desrespeitarem a fé da grande maioria".

 

Veja o vídeo:

 

Os dois parlamentares são vinculados à Renovação Carismática Católica.

 

Pedindo um posicionamento do arcebispo

 

Desde cedo dessa quinta-feira, pelo menos dois líderes leigos contataram o arcebispo Walmor Oliveira de Azevedo e pediram que manifestara públicamente seu repúdio à programação do ato blasfemo. Fies também acudiram pessoalmente à Curia Metropolitana para pedir ao prelado que ligara ao prefeito para impedir essa agressão, mas o religioso, também presidente la Conferência Nacional dos Bispos do Brasil estava fora da cidade.

 

Então, durante todo o dia, os fiéis foram convidados, através do aplicativo WhatsApp, a solicitar ao Oliveira de Azevedo - por meio de e-mails ou telefonemas - uma intervenção pública rápida e contundente. O bispo recebeu e-mails até de evangélicos que se uniram aos católicos na tentativa de barrar a 'performance'. 

 

Jorge Linhares, presidente do Conselho de Pastores em Minas Gerais, manifestou publicamente sua solidariedade aos católicos e ao deputado Biondini "na defesa da santidade de Maria, Mãe de nosso Senhor Jesus".

 

"Nós evangélicos amamos à Mãe de Senhor Jesus, aquela que foi escolhida e é a mulher mais santa em toda a Bíblia", afirmou. Veja o vídeo.

 

A nota oficial da Arquidiocese foi publicada na sexta-feira, 19 de julho, às 9 horas. Firme, excepcionalmente dura e contundente, como a situação demandava. Nela, Oliveira de Azevedo qualifica a 'coroação' como "ato abominável contra a fé católica" e diz:

 

"Exigimos e esperamos que as autoridades competentes e os organizadores suspendam este evento, por ser incontestável fomento ao preconceito e à discriminação, desrespeito aos valores da fé cristã católica, devendo saber que estão comprometendo , gravemente, a paz e o exigido relacionamento cidadão respeitoso".

 

O pedido não o faz 'sozinho', mas à frente e em nome de "seus bispos auxiliares, padres, diáconos, religiosos e religiosas, ministros, evangelizadores e povo de Deus, das suas mais de 1500 comunidades de fé". 

 

"Não é admissível instrumentalizar Nossa Senhora, desrespeitando-a, para se promover um evento que se diz cultural, mas, na verdade, configura-se em agressão à fé cristã católica.  Não se cultiva tolerância a partir do desrespeito".

 

E conclui pedindo a todos os católicos que "se expressem, exigindo respeito e a imediata suspensão dessa ação criminosa". No texto, a Arquidiocese informou que protocolou o pedido de cancelamento perante as autoridades. A nota completa pode ser lida aqui.

 

 

"O evento está cancelado"

 

Três horas após da nota da Arquidiocese, logo de receber a presão de alguns políticos e mais de 24.000 e-mails de repúdio na sua caixa de correio graças à petição feita em CitizenGo, tudo em menos de 24 horas, Kalil cedeu.

 

Escreveu às 12 horas no Twitter: "Estou comunicando que o evento está cancelado".

 

 

 

Logo do anúncio do prefeito, a Secretaria Municipal de Cultura publicou uma breve nota oficial confirmando a ordem:

 

“A organização da Virada Cultural de Belo Horizonte informa a suspensão da performance da Academia Transliterária, uma das 447 atrações previstas na programação. Ao ser selecionada por meio de um chamamento público, em nenhum momento houve intenção de ferir a crença religiosa de qualquer pessoa ou grupo. Mas na medida em que uma parte da sociedade sentiu-se duramente ofendida, optou-se, então, pela suspensão da atividade. A Virada Cultural de Belo Horizonte é um evento que preza pela pluralidade e que tem como objetivo a convivência pacífica e harmônica entre todos os cidadãos”.

 

Mudando o discurso

 

Ao conhecer a decisão de Kalil, a Academia TrasLiteraria, um grupo de militantes LGBT, responsável pela "performance" blasfema, anunciou que não iria acatar a 'censura' e que eles se apresentariam de qualquer forma.

 

A Academia se define como um coletivo artístico de pessoas "travestis, transexuais e transgêneros" e um de seus fundadores é Eduardo 'Dudu' Salabert, professor de literatura em escolas particulares da cidade, que já foi candidato ao Senado nas eleições federais de 2018 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), sigla de esquerda radical.

 

Alguns dos membros do grupo trabalham ou colaboram com os vereadores e deputados estaduais do PSOL.

 

 

 

O documento diz:

 

"Felizmente, em um ato de pura lucidez, o Prefeito de Belo Horizonte anunciou o cancelamento do evento ao fundamento de que, além de não ser cultural, ofende a fé alheia. No entanto, o grupo organizador do evento, Academia TransLiterária, com sede em Belo Horizonte, já promoveu em passado recente e continuará a promover a mesmíssima 'performance', caso não seja sofreado à mão tenente, em grave violação da Lei Penal".

 

"Ante o exposto, é a presente notícia-crime para solicitar a Vossa Excelência a adoção das medidas necessárias à apuração das atividades ilícitas da Academia TransLiterária, particularmente em relação ao evento denominada 'Coroação de nossa senhora dos Travestis', para a identificação e responsabilização de seus autores, nos termos do artigo 208 do Código Penal".

 

A partir dai, e depois de alguns contatos com a Prefeitura, a Academia modificou pouco apouco seu discurso, embora sempre se vitimizando, e chegaram ao ponto de afirmar que sua 'performance' não fazia referência alguma a Maria, a mãe de Jesus Cristo, mas a "outra nossa senhora", a "deles". Seu comunicado final pode ser lido aqui.

 

 

O desagravo

 

 

Como a ameaça de blasfêmia pública permaneceu no ar, os católicos mantiveram a convocação, seria um ato de ação de graças a Deus pela decisão do prefeito, um ato de desagravo pelas vezes que a 'peça' blasfema tinha já sido apresentada, e também estavam preparados para neutralizar pacificamente a 'performance', caso tentassem apresentá-la.

 

Às 19 horas, se encontraram nos portões da Igreja de São José e ficaram até as 21 horas. Eram quase duas centenas. Desafiando o barulho dos arredores, porque os shows da Virada Cultural estavam em curso, rezaram o terço e cantaram hinos.

 

O evento reuniu a católicos de diversos caminhos e espiritualidades. Desde o Terço dos Homens até as Mães que Oram; desde a Renovação Carismática até a Tradição Família e Propriedade. Entre a multidão também havia evangélicos que se uniram para orar. Tudo em paz. Alguns policiais que cuidavam da segurança do entorno também rezavam.


Os "artistas militantes" não apareceram. E esse foi o dia que o povo cristão de Belo Horizonte, mobilizado e unido, 'dobrou' ao prefeito e impediu que outra ferida fosse aberta.

 

Segundo o último censo oficial, de 2010, 60% da população de Belo Horizonte é católica e 25% evangélica, 85% por tanto são cristãos. Kalil e o lobby LGBT os agrediram ... e o tiro saiu pela culatra.

 

[ D'Vox ]

 

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