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'Fodam-se todos os que pensam diferente', vocifera o prefeito de Belo Horizonte em apóio à marcha gay

 

Claro, grosso e direto. Encorajado por um público que o ovacionou durante uma marcha do orgulho gay, o prefeito de uma das maiores cidades do Brasil enviou uma agressiva mensagem àqueles que não concordam como ele com a agenda ideológica de gênero: "fodam-se".

 

Sim. Tal e como escutou. Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte, enviou a grande parte da população que governa a "se foder" na 22ª Parada LGBT que ocorreu nessa capital no domingo, 14 de julho. Um gesto ofensivo sem precedente.

 

"Nós precisamos muito de vocês, precisamos muito desta festa [...], a cidade não tem dono, ninguém manda nela a não ser o povo de Belo Horizonte, chega de uma cidade com dono, chega de cidade morta e sem vida", ele disse.

 

"Trago para vocês três palavras libertadoras: primeiro 'não sei', o 'não sei' liberta; [...] a segunda, virem para quem amem e digam 'eu te amo', é muito importante; e o terceiro e último, "fodam-se, fodam-se para todos aqueles que pensam o contrario [de nós], fodam-se todos eles", concluiu, seguido por uma onda de aplausos.

 

Você pode assistir o vídeo aqui:

 

 

Quebra de decoro?

 

"Foda-se". Uma expressão que nenhum cidadão espera ouvir da boca de suas autoridades, e muito menos sendo dirigida contra sua pessoa.

 

O prefeito poderia ter incorrido em uma das infrações político-administrativas listadas pela Lei Orgânica do Município. O Artigo 110 define como uma infração grave o fato do titular do Executivo proceder "de maneira incompatível com a dignidade e decoro do ofício". A pena: perda de mandato.

 

Em 2010 Wagner Neves Freitas, prefeito de Jussiape, a 536 km da cidade de Salvador, em Bahia,  foi cassado pela Câmara Municipal por quebra de decoro ao se comprovar que xingou ao vice-gobernador.

 

A invectiva de Kalil não ofende a uma pessoa só, ou apenas um punhado de "fundamentalistas". Uma pesquisa de outubro de 2017, revelou que 87% dos brasileiros eram contra a ideologia de gênero, especialmente quando oferecidos às crianças na escola.

 

Belo Horizonte não parece sair muito desse padrão, a Câmara Municipal rejeitou categoricamente em 2015 a inserção da ideologia de gênero no Plano Municipal de Educação e tem um grande bloco de vereadores  - eleitos pelo voto popular - que eles são pro-familia.

 

 

Quem é Kalil?

 

A 'Parada LGBT' de Belo Horizonte é realizada há 22 anos pelo Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS) e conta com o apoio dos governos municipais desde 2001, e, em especial do atual que fornece recursos públicos. Neste ano receberam pelo menos 150 mil reais.

 

Alexandre Kalil é o primeiro prefeito a participar deste evento e no ano passado, em seu discurso, disse que seu governo ajudaria a transformá-la na maior concentração desse tipo no Brasil.

 

Kalil, um empresário polêmico e ex-presidente do Clube Atlético Mineiro, é prefeito de Belo Horizonte desde janeiro de 2017. Ele se apresentou nas eleições como um "não-político", um homem "anti-sistema", com uma agenda eclética.

 

Alguns de seus compromissos de campanha eram: tratar com "afeto" aos servidores públicos para que estes, por sua vez, pudessem servir "amorosamente" ao povo; abrir a "caixa preta" das máfias do transporte público, criar o programa "Respeitando Nossas Companheiras", criar uma Secretaria de Cultura e - acredite ou não - apóia a fundação de um "Museu do Sexo das Putas".

 

Dessas cinco promessas, apenas as duas últimas se realizaram. Um órgão municipal foi instituído para atender a cultura, que foi entregue aos setores radicais da esquerda, e o 'museu' está em andamento.

 

Uma análise publicada pela Rede Estadual de Ação para a Família durante o processo eleitoral denunciava que seu plano de governo abraçava a perspectiva ideológica de gênero, embora ele o negasse com veemência.

 

O texto diz: "no plano do governo, vemos a inserção dessa ideologia em dois capítulos, os referentes à educação e cidadania".

 

"Na página 29, promete como compromisso com a educação 'falar mais sobre sexualidade e gênero' nas escolas". Como é abido, os governos municipais no Brasil fornecem apenas para crianças e educação fundamental.

 

O documento detalha que "na página 103 traz um apartado específico relativo à 'comunidade LGBT' no qual os candidatos se comprometem a elaborar um Plano Municipal de políticas públicas de combate ao preconceito e discriminação em relação à orientação sexual e identidade de gênero".

 

E concluem: "se um eventual governo Kalil - Lamac desenvolve - como anunciado - um plano municipal de políticas públicas em relação à orientação sexual e identidade de gênero, podemos estar seguros que a agenda ideológico-política de gênero será articulada para todas as áreas de responsabilidade da prefeitura, como em nenhuma administração anterior".

 

Parece que estavam certos.

 

[ D'Vox ]

 

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