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A tragédia em Suzano

16.03.2019

 

De tempos em tempos, e ultimamente também no Brasil, ouve-se falar de pessoas, alunos ou ex-alunos das escolas, que, sem dó nem piedade, atacaram seus colegas, especialmente nos Estados Unidos, atingindo a tiros os que nelas estudavam, abrindo uma ferida funda nos corações dos pais das vítimas e de seus colegas e amigos.

 

Embora os casos nos Estados Unidos tenham revelado muito mais violência de seus atiradores, até mesmo pelo tempo que conseguiram resistir à reação da polícia, não causam menos apreensão e desgosto o que vem ocorrendo no Brasil, culminando agora com o caso de Suzano.

 

Dizem que os atiradores de Suzano queriam superar os de Columbine, nos Estados Unidos, quando, em 20 de abril de 1999, dois estudantes invadiram uma escola secundária de lá e deixaram um rastro de 13 mortos e 21 feridos.

 

Só que, ao contrário do que lá ocorreu, aqui, depois da chegada dos policiais, oito minutos após o início do tiroteio, um dos atiradores, de 17 anos de idade, matou o comparsa, de 25 anos, e se matou em seguida, deixando um saldo de nove mortos e dez feridos.

 

Perante uma tragédia desse tipo, que já não é a primeira, até mesmo no Brasil, a pergunta que se faz, é: porque? Porque dois estudantes de uma escola, amigos entre si, levando uma vida aparentemente normal, praticam uma insanidade dessas, matando jovens que até ontem eram seus colegas?

 

Não falta quem queira fazer o seu diagnóstico: é produto dos videogames com os seus jogos de violência; é a falta de amor na família e, consequentemente, de diálogo entre pais e filhos e dos irmãos entre si; é a falta de diálogo entre professores e alunos e de uma atmosfera de paz que ali se cultive, vendo-se, ao contrário, atos de violência de alunos contra professores; é a falta de segurança nas escolas, onde falta maior vigilância no acesso de quem entra, pois seriam necessárias portas que o dificultassem, à semelhança do que ocorre nos bancos e nos aeroportos; e assim por diante.

 

Não há dúvida de que, dentre essas causas que se apontam, há um pouco de tudo, todas elas concorrem, ou, em alguma medida, podem concorrer para que se crie um sentimento de revolta, ou uma síndrome de depressão, nos mais sensíveis, que, não identificados a tempo, pelos pais ou professores, leva o jovem a desenvolver, dentro de si, esse sentido niilista da vida, que um dia o determina a cometer desatinos dessa proporção.

 

Se não fosse assim, se não fossem essas causas mais profundas que trazem à tona, de vez em quando, os sentimentos mais primitivos do ser humano que mostra não acompanhar a evolução psicológica do seu semelhante para melhor, depois de séculos de civilização, não haveria porque esse tipo de ações, e não só nas escolas, ocorrerem em vários pontos do planeta, seja qual for o grau de civilização do mesmo.

 

Em meu entender, há duas exigências básicas a fazer-se às escolas: um psicólogo para conversar com os alunos e verificar em que direção eles caminham [1] no dia a dia de suas vidas, e o ensino religioso, num país predominantemente cristão, o que não excluiria o ensino, com base em outra religião que eventualmente o aluno professasse.

 

A religião tem-se mostrado um freio contra os sentimentos de autodestruição [2], assim como um estímulo para a regeneração do indivíduo, uma vez que claudique; basta ver os excelentes e aparentemente inacreditáveis resultados, alcançados entre os presos, por vezes os mais perigosos, pelos pastores evangélicos que se dedicam muito a essa tarefa.

 

Mais do que isso, é necessário, instaurar-se um processo de sólida e austera disciplina nas escolas; é nisso que se inspira a ideia de escolas militarizadas, mas talvez não seja necessário tanto, ir-se tão longe, mas algo nesse sentido para que o aluno aja com respeito para com os professores e, porque não, com um autêntico temor reverencial em relação a eles, como ocorria na minha juventude.

 

É essa falta de respeito pelos colegas e até pelos professores que leva a esse clima de violência que, esta sim, tem de ser totalmente erradicada do nosso meio em geral e das escolas em particular. Terá de ser este o primeiro passo a ser dado.

 

[ D'Vox ]

____

Cesar Mata é advogado e colunista do D'Vox, mora em São Paulo, Brasil. Você poder ler seus artigos no seu blog  'Atualidades'.

 

Notas:

 

[1] Bastaria, para , uma sessão por mês com cada aluno, de duração de meia hora, no mínimo, com as informações necessárias por ele/a prestadas periodicamente aos pais e professores sobre o universo psicológico de cada um.

 

[2] O número de suicídios no país ente jovens de 10 a 15 anos é simplesmente alarmante.Formado pelos seguintes doze países da América do Sul: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Perú.

 

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