O drama de Venezuela


A feroz ditadura de Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chaves, e a tentativa de Juan Guaidó de assumir a Presidência interina da Venezuela até que novas eleições sejam convocadas colocam aquele país, já tão sofrido com a falta de artigos essenciais para a sobrevivência da sua população, num beco sem saída.

A assunção da Presidência interina do país por aquele jovem líder logo foi saudada, com o seu reconhecimento, pelos Estados Unidos, imediatamente seguido do Brasil, Colômbia, Canadá e demais países que formam o bloco chamado “Grupo de Lima” [1]. Cuba, Bolívia, Nicarágua, Rússia e China apoiam explicitamente Maduro.

A Alemanha, a Espanha e a França tinham anunciado que reconheceriam Guaidó se Maduro não se comprometesse, durante uma semana, a convocar novas eleições. O ditador não o fez e estes países, assim como a maioria dos membros da União Europeia, anunciaram seu reconhecimento a Guaidó.

Os países da América Latina, como o Brasil, têm toda a legitimidade para intervir mais diretamente na situação, pois todos eles são o destino da emigração forçada de mais de um milhão de venezuelanos que são neles recebidos e abrigados, não obstante os problemas que necessariamente trazem consigo, constituindo-se num ônus para as populações locais.

Internamente, embora a população tenha saído maciçamente às ruas para exigir sua saída do poder, a verdade é que o ditador ainda goza da proteção do exército e dos chamados coletivos, que são milícias bolivarianas, fortemente armadas e que saem às ruas para combater os opositores do governo.

Até agora já houve algumas mortes, cerca de duas dezenas só em janeiro, mas se as coisas continuarem assim, receia-se a deflagração de uma guerra civil, fato que aumentaria consideravelmente a tragédia em que o povo daquele país já se vê mergulhado há anos.

Já ouvi um conceituado jornalista dizer que, certamente, a assunção de Guaidó como Presidente Encargado não era o caminho a ser seguido para derrubar o ditador, que seria necessário uma negociação com o exército ou com o próprio Maduro, oferecendo-lhe uma espécie de salvo-conduto para um país amigo ou neutro, como o México, por exemplo. Um ex-embaixador brasileiro também opinou mais ou menos nesse sentido.

Seria o ideal, sem dúvida. Mas qual é o ditador que larga mão do Poder voluntariamente? E porque o exército, que já emitiu até uma nota de apoio a Maduro e chamou de "golpe vulgar" ao gesto de Guaidó, mostraria alguma boa-vontade para uma negociação com o objetivo de tirar seu protegido do Poder?

O que está havendo é o que se pode fazer neste momento: uma grande pressão, interna e internacional, para a queda do regime e o retorno ao regime democrático, através de meios pacíficos. Mas nada está garantido pois Maduro exerce o monopólio da força contra seu povo.

Seria conveniente que a União Européia, que recentemente reconheceu a Guaidó, intensificasse sua pressão ao ditador para não dar a ele margem de se recompor. De qualquer modo, por tudo quanto vem acontecendo, me parece que Maduro e o seu regime têm os seus dias contados.

[ D'Vox ]

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Cesar Mata é advogado e colunista do D'Vox, mora em São Paulo, Brasil. Você poder ler seus artigos no seu blog 'Atualidades'.

Notas:

[1] O Grupo de Lima refere-se a um plataforma de chanceleres de países das Américas formado em 8 de agosto de 2017, na capital do Peru com o objetivo declarado de "abordar a crítica situação da Venezuela e explorar formas de contribuir para a restauração da democracia naquele país através de uma saída pacífica e negociada". Na ocasião estiveram presentes representantes de 12 países: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru.

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