Um pró-vida e pró-família é o novo embaixador da Colômbia na OEA


Um político pró-vida y pró-família, Alejandro Ordóñez Maldonado, é o novo embaixador plenipontenciário da Colômbia ante a Organização de Estados Americanos (OEA).

Assumiu o cargo das mãos do presidente Iván Duque na terça-feira passada, 11 de setembro, em Bogotá. No ato, o mandatário disse: "Estou satisfeito que seja você quem assuma este desafio, porque teve uma longa carreira a serviço da justiça, mas acima de tudo, você é uma pessoa que tem caráter, que defende suas idéias."

A chegada de Ordóñez ao organismo regional representa uma dura derrota para os setores mais radicais da esquerda e do liberalismo do país, que sabendo sua indicação, em agosto passado, imediatamente montaram uma agressiva campanha contra ele.

Segundo eles, a nomeação coloca em risco os avanços que a chamada “agenda progressista” teve no país e na região na última década.

O motivo? Ordóñez é um homem de profundas convicções e conduta firme, que desempenhou um relevante papel político na defesa do direito à vida, da infância, da instituição familiar e das liberdades fundamentais nos cargos que até agora desempenhou.

Advogado formado na Universidade de Santo Tomás, de Bucaramanga, foi Conselheiro dessa cidade; magistrado do Tribunal Administrativo de Santander; presidente do Conselho de Estado da Colômbia de 2004 a 2008 e Procurador Geral da Nação de 2009 a 2016.

Como procurador desenvolveu uma politica de tolerância zero no combate à corrupção e o narcotráfico. Destituiu, suspendeu e desabilitou diversos altos funcionários, ministros, governadores, prefeitos e congressistas de diversos partidos. Ao todo são mais de dois mil.

Entre eles estão o ex-ministro da Agricultura, Andrés Felipe Arias, a quem desabilitou por má administração de fundos e contratação indevida; a ex-senadora Piedad Córdoba, por haver realizado reuniões ilegais com a organização narco-terrorista das FARC; ou as congressistas Eleonora Pineda e Rocío Arias por seus vínculos com paramilitares.

Ou o ex-prefeito Samuel Moreno Rojas e seu irmão Iván pelo chamado Carrossel da Contratação com o qual permitiram o desvio de recursos públicos; o secretário-geral da Presidência de Álvaro Uribe, Bernardo Moreno; o ex-diretor nacional de combate ao tráfico de narcóticos, Carlos Albornoz, e o próprio ex-prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, agora auto-proclamado novo líder da esquerda colombiana.

Foi um feroz opositor do ativismo ideológico da Corte Constitucional que legalizou, através de emendas, o aborto, a eutanásia – também aplicada a crianças – e as uniões entre pessoas do mesmo sexo.

E também combateu tenazmente o impopular acordo do governo de Juan Manuel Santos com as FARC, por considerar que ofereciam uma “carta branca” à narco-guerrilha em detrimento do cabal exercício da justiça, especialmente para com as vítimas.

Foi candidato à Presidência da República nas eleições gerais deste ano e depois da eleição interna da “direita” formou um bloco exitoso em apoio ao candidato do Centro Democrático, Iván Duque, que foi o vencedor no segundo turno.

Uma feroz campanha contra o novo embaixador

Uma vez conhecida sua designação, o esquerdista Gustavo Petro, também ex-candidato presidencial, escreveu em sua conta do Twitter: “Duque nomeou como nosso embaixador na OEA um homofóbico, antissemita e fascista”.

Essas linhas são um bom resumo do ódio dos “progressistas” ao novo embaixador, uma animosidade visceral que usa de epítetos falsos e ofensivos e que nasce do fato de que é para eles uma pedra muito incômoda pedra no sapato, ou uma "mosca no leite", como disse o também ex-candidato Humberto de la Calle, liberal, maçom e principal articulador dos Acordos de Havana.

Não duvidam em defini-lo abertamente como um “inimigo”.

Um singular artigo da feminista colombiana Catalina Ruiz-Navarro, radicada no México, reflete bem essa perspectiva. Para ela a chegada de Ordóñez à OEA “ameaça a toda a América Latina”.

Veja você mesmo:

Sua nomeação “significa que virão barreiras para os avanços na legalização das drogas, tão necessária para [...] o México, a Guatemala, El Salvador, Honduras e a Nicarágua; os países mais afetados pela guerra contra o narcotráfico e pela militarização desenfreada. Estes mesmos países têm sérios problemas em matéria de direitos humanos e direitos das mulheres”.

“Em Honduras, Nicarágua e El Salvador, o aborto está proibido em todos os casos e [...] Ordóñez chegará à OEA com sua obsessão pessoal na agenda: ir contra os direitos sexuais e reprodutivos”.

“Esta é uma alerta para os movimentos feministas latino-americanos, pois é um homem sagaz, perseverante e corrupto e vai buscar ativamente os retrocessos em direitos sexuais e reprodutivos e direitos da comunidade LGBTI em toda a região”.

Antes de finalizar o texto, Ruiz-Navarro revela seu grande temor: que o político colombiano “faça todo o possível” para acabar de vez com o milionário financiamento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Por quê? As contribuições dos países para o órgão se reduziram progressivamente e Ordóñez manifestou em diversas ocasiões sua reserva à atuação da entidade que, em vez de garantir o respeito ao Pacto de São José, parece estar mais preocupada em impulsionar as pautas ideológicas abertamente reconhecidas pela feminista.

Por isso lhes preocupa – e muito – seu desembarque na OEA, e montaram uma campanha online na plataforma Change para solicitar a Duque que volte atrás em sua nomeação.

A organização que assina a iniciativa, Caribe Afirmativo, recebe financiamento daOpen Society Foundations, do magnata George Soros, e se dedica a impulsionar a agenda LGBT na região.

Também na imprensa há uma descarada campanha de desprestígio que inclui a divulgação de informação falsa: afirmam que Ordóñez "perseguiu" a políticos de esquerda desde seus cargos e que estaria desabilitado para exercer funções públicas pela decisão tomada pelo Conselho de ministros em 2016 – a pedido do presidente Santos – para declarar nula a reeleição de Ordóñez para a função de procurador.

Respeito a esta última mentira, o conselheiro para assuntos políticos do atual governo, Jaime Amín, foi contundente ao informar que o ex-procurador goza de pleno exercício de seus direitos políticos.

Todo o respaldo ao ex-procurador

José Félix Lafaurie, presidente da Federação Colombiana de Pecuaristas (Fedegán, na sigla do país), foi um dos líderes dos diversos setores que saíram em sua defesa denunciando que a esquerda quer criar uma imagem do novo embaixador que não corresponde à realidade.

“A nova causa da esquerda é conseguir uma narrativa injusta e absolutamente alheia à realidade a respeito de uma vida construída com honestidade, decoro e trono moral como a de Alejandro Ordóñez. Por isso todo o apoio ao ex-procurador”, assegurou em suas redes sociais.

Também através de seus perfis no Twitter e no Facebook políticos com funções nacionais e locais manifestaram a ele seu apoio.

A senadora Maria Fernanda Cabal disse que o Ordóñez que conhece é um homem “íntegro, amável, inteligente, decente e coerente”.

Assinalou que “os mesmos que criticam ao embaixador Alejandro Ordóñez ficam calados quando chegam os pedófilos no Congresso”.

No mesmo sentido, a também senadora Paola Holguín indicou que o político “tem firmeza, princípios e ama profundamente a Colômbia”.

A deputada Ángela Hernández confessou que deve a Ordóñez o ensinamento de que, pela fé e os princípios, se deve continuar lutando “15 minutos depois de morrer”.

E o conselheiro Marco Fidel Ramírez sustentou que o ex-procurador “é o mais valente defensor da vida, da família e dos valores, e por isso será um grande embaixador, representando bem os desejos do nosso povo”.

Uma campanha de apoio online também foi montada pela plataforma CitizenGo.

A influência de Ordóñez na eleição de Duque

Talvez a esquerda não perdoe a Ordoñez que – de acordo com diversos testemunhos – teve um papel preponderante nas passadas eleições presidenciais de Colombia, que aconteceram entre maio e junho deste ano, para fidelizar o voto que passa pelo crivo de valores relacionados com a promoção e defesa da vida, da família e das liberdades fundamentais.

Estes setores, que no país e no continente mobilizaram milhões de pessoas durante os últimos anos viram no ex-procurador uma espécie de ‘garantia’ que contribuiu para dar a Duque um voto de confiança, a quem viam com justa desconfiança pelas opiniões que explicitava entre 2011 e 2014 em relação ao aborto e ao ‘matrimônio’ entre pessoas do mesmo sexo.

Ao que parece, houve uma mudança em Duque derivada da proximidade com Uribe no senado, a partir de 2014. Quando perguntaram a Uribe o que pensa sobre temas polêmicos da vida e da família, ele responde: “Eu penso o mesmo que o doutor Ordóñez”. Duque, evidentemente, não chega a tanto, mas reconhece a importância desses temas. Não os ignorou nem subestimou durante a campanha e com a entrada de Ordóñez na aliança com ele – depois da eleição interna da “direita” – esses assuntos se viram reforçados.

Seu programa de governo, por exemplo, ampliou o capítulo de políticas públicas para a família, com mecanismos específicos para seu fortalecimento, e proteção e desenvolvimento que contempla o respeito à liberdade de educação e critérios de subsidiariedade. No capítulo de “igualdade para as mulheres” se percebe um cuidado especial em eliminar qualquer referência a conceitos ideológicos relativos a ‘gênero’.

Sobre o aborto, ainda que Duque reconhece que “a vida humana inicia na concepção”, disse que “respeita” a sentença da Corte Constitucional do país que, desde 2016, o permite quando a “saúde física ou mental” da mãe está em perigo, quando a uma “grave” má-formação e quando a gravidez é fruto de estupro. Mas se nega a ampliar os casos de despenalização.

Partindo dali, Ordóñez teceu um acordo realista com Duque: garantir a objeção de consciência de forma transversal nas emendas estabelecidas pelo Tribunal em matéria de aborto, eutanásia e ideologia de gênero; assim como reverter as regulações para a eutanásia, especialmente em crianças. Estas ‘garantias’ possibilitaram o apoio articulado e unânime de comunidades cristãs e organizações cidadãs à sua candidatura.

Duque não era o candidato ideal para os pró-vida e pró-família, que confiavam em Ordóñez, mas era sim quem – nesta conjuntura – lhes oferecia maiores garantias de respeito, e por isso entraram sem ambiguidades e com grande empenho na campanha que concluiu na indiscutível vitória de Duque contra Petro, que hoje se mostra obcecado em sujar a chegada de Ordóñez à OEA.

Apesar de quase dois meses de pressões exercidas na imprensa e em pontos nodais do novo governo por uma ampla faixa de organizações "progressistas" locais e até globais, Duque não se dobrou. Eles não conseguiram sabotar a significativa nomeação do ex-procurador que agora desembarca em Washington e não há volta atrás.

[ D'Vox ]

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