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A caminho da restauração do sistema

20.09.2018

 

Mochila Política 54  | A restauração do sistema político sob os parâmetros do presidencialismo autoritário, a simbiose com o partido no poder, as práticas populistas e uma ideologia liberal marcam até agora as ações do presidente eleito, Andrés Manuel López Obrador e seu grupo.

 

Trabalharam para recompor as relações com grupos originados no sistema priista e para favorecer a outras correntes do tricolor, algumas delas sem importar com o desasseio com o qual se realizaram.

 

O pacto de impunidade

 

A complacência do atual Presidente Enrique Peña Nieto de atuar em um segundo plano, a libertação de personagens presos, assim como a mudança em processos judiciais para outros, são ações encaminhadas para refazer alianças com esses grupos.

 

Assim pode entender-se a libertação de Elba Esther Gordillo, justo no mesmo dia da primeira reunião formal entre o presidente que sai e o que entra; a virada do processo contra Alejandro Gutierrez, ex-secretário geral adjunto do PRI por ter desviado 250 milhões de pesos para campanhas eleitorais, que está praticamente em liberdade, são os casos mais emblemáticos.

 

Com isso se liberta Manlio Fabio Beltrones e seu grupo da pressão política mais forte em sua trajetória. Gutiérrez poderia seguir respondendo processo em liberdade, seja em seu domicílio ou usando uma tornozeleira eletrônica, entre outras modalidades.

 

Outro caso é a retirada da acusação da Procuradoria-Geral da República contra María Guadalupe Rodríguez Martínez, esposa do líder nacional do Partido do Trabalho (PT), Alberto Anaya, por falta de elementos, por lavagem de dinheiro pelos 100 milhões de pesos que o governo do Novo Leão outorgou aos Centros de Desenvolvimento Infantil (Cendis).

 

Os Cendis se converteram em um modus operandi político-econômico do PT em diversas partes do país e eram administrados pelo diretório nacional e alguns achegados.

 

Não apenas isso, a senhora Rodríguez Martínez será deputada local pelo Novo Leão.

 

Um terceiro caso é o da licença ao senador do Partido Verde Ecologista do México (PVEM), Manuel Velasco Coello, para voltar a ser governador por 3 meses e logo retomar a senadoria em troca de que este partido outorgasse cinco deputados federais ao Morena, com o qual consegue a maioria absoluta na Câmara dos Deputados.

 

Tanto o PT como o PVEM surgiram durante governo de Carlos Salinas de Gortari e sua função foi a de realocar velhos partidos satélites do priismo.

 

O que em seu momento foram o Partido Autêntico da Revolução Mexicana (PARM) e o Partido Popular Socialista (PPS) para o PRI, agora o são o PT e o PVEM para o Morena.

 

Com os fatores de poder

 

Um dos acontecimentos de maior significado nos últimos dias foi o realinhamento do Grupo Financeiro Banorte (GFNorte), dirigido por Carlos Hank González, neto do insigne político priista de mesmo nome.

 

“O México decidiu transformar-se e o Banorte será um aliado fundamental nesta nova etapa histórica que nós mexicanos iniciamos”, disse o presidente do Conselho de Administração ao anunciar o Foro Banorte nos últimos dias 21 e 22 de agosto e ao qual assistiram alguns dos políticos que integrarão o gabinete de López Obrador.

 

Os Hank fundam suas raízes no estado do México, o patriarca da família foi um proeminente personagem do sistema priista reconhecido por seu pragmatismo para acumular uma enorme fortuna ao amparo do poder político.


A estirpe Hank, segundo informes da Direção Federal de Segurança, foram parte da proteção política para o surgimento do chamado Cartel do Golfo (Mochila Política 07- 'Trump entra na sucessão; afundam intrigas do sistema', de 11 de abril de 2017). Desconhece-se se alguma autoridade no México abriu alguma indagação sobre essas informações.

 

Hoje o GFNorte é o segundo grupo financeiro mais importante do país, de acordo com a informação publicada durante o processo de fusão do Banorte e o Interações, o qual cominou no dia 14 de julho, apenas alguns dias após o processo eleitoral.

 

Os dados são tomados do jornal 'La Jornada': “Com a fusão os ativos do grupo chegaram a 1 bilhão e 601 mil milhões de pesos – que representam 17,5% da quota de mercado no país –, apenas abaixo do BBVA Bancomer, que ao final de 2017 acumulou ativos por 2 bilhões e 168 mil milhões de pesos (23,6% da quota de mercado).

 

“Com a fusão, tanto o montante da carteira como o dos depósitos que dirigirá o Banorte subiram do quarto para o segundo lugar na escala nacional, com montantes de 732 mil e 730 mil milhões de pesos, respectivamente.

 

“Sobre a saúde de sua carteira, o grupo detalhou que 93% da carteira de crédito total do Interações tem como fonte primária ou secundária de pagamento recursos provenientes do governo federal, o que resultou historicamente em indicadores de carteira vencida como porcentagem de carteira total muito próximos a 0%.

 

“Durante os últimos quatro anos a carteira do Interações teve como média 0,17% com níveis de cobertura de carteira vencida várias vezes por cima da média de bancos mexicanos.

 

“Por sua parte o financiamento a entidades governamentais do Banorte está em 94% garantido com participações federais”.

 

O projeto ideológico

 

A agenda Sánchez Cordero, legalização das drogas, eutanásia, aborto, não figuraram nas promessas de campanha de López Obrador nem no projeto de governo que até hoje se conhece.

 

Mas graças ao reagrupamento de grupos do sistema para manter o poder, apesar dos partidos, recebeu um primeiro impulso.


“O apoio a esses temas conta já com uma série de personagens eleitos como deputados federais que foram finamente colocados não somente no Morena, mas no Movimento Cidadão e no Partido Ação Nacional. 'Colorir' a agenda liberal com vários partidos lhe daria um sentido de pluralidade e diversidade” (Mochila Política 53 - 'AMLO e a agenda dos liberais', do 10 de agosto de 2018).

 

À agenda apoiada pelo bloco de liberais no Congresso da União se somou o ex-dirigente nacional do PAN, Germán Martínez Cázarez, emocionado, que apresentou a primeira iniciativa a favor do lobby LGBTTTI com o apoio dessa corrente.

 

Sob o pretexto de modificar leis de Segurança Social, o agora senador pelo Morena propõe regulações a favor das uniões e concubinatos entre pessoas do mesmo sexo em 23 estados onde não se lhes reconhece.

 

As uniões entre pessoas do mesmo sexo só foram reguladas na Cidade do México, Michoacán, Coahuila, Chihuahua, Colima, Campeche, Morelos, Nayarit y Quintana Roo; no resto do país não, mas se veriam obrigados a aprovar esta iniciativa.Pero no solo Germán Martínez hace el trabajo de Morena, también el PRD.

 

O dado revelador é que é iniciativa foi apoiada por senadores do PRI, alguns do PAN, entre eles Josefina Vázquez Mota, que fora candidata à presidência em 2012, e alguns que já se esperavam: Miguel Ángel Mancera, coordenador dos senadores do PRD; de Dante Delgado, coordenador dos senadores do Movimento Cidadão; Emílio Álvarez Icaza, senador sem partido e toda a bancada do Morena.

 

Mas não só Germán Martínez faz o trabalho do Morena, também o PRD.

 

No dia 6 de setembro, o grupo de deputados federais do Partido da Revolução Democrática apresentou uma iniciativa para impor o aborto em todo o país, sob o pretexto de que é “uma pendência a respeito de garantir e reconhecer o direito das mulheres para decidir livremente sobre seu corpo”.

 

E no segundo artigo transitório advertem: “O Congresso da União e os locais deveriam harmonizar a legislação respectiva por virtude do presente decreto, dentro dos 120 dias seguintes à entrada em vigor deste artigo”.

 

A questão foi fechada no último fim de semana em uma reunião entre os diretórios do Morena, do PT e do Partido Encontro Social com os legisladores locais desses partidos na qual se comprometeram, sem importar suas diferenças ou conflitos internos, a aprovar em seus congressos locais as reformas constitucionais promovidas pelo Presidente Andrés Manuel López Obrador.

 

[ D'Vox ]

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Héctor Moreno Valencia é jornalista e consultor. Trabalhou na agência Notimex e no Grupo Reforma onde fundou o diário Mural. É coautor do livro Sangue de Maio - O homicídio do Cardeal Posadas e editor do serviço de análise Mochila Política *.

 

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