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Argentina: uma vitória chave para a vida, um novo cenário

10.08.2018

 

O dia 9 de agosto de 2018 ficará marcado para sempre no calendário pró-vida. Em Buenos Aires se deteve um projeto de lei para legalizar o aborto que já tinha meia sansão, ou seja, que já havia sido aprovado pelos deputados do país. Não parecia possível reverter a situação dois meses atrás, mas muitas coisas mudaram nas últimas semanas, e desta vez para benefício da causa das crianças que estão para nascer.

 

No dia 14 de junho um projeto de lei de aborto muito agressivo recebeu a aprovação da Câmara dos Deputados. Essa foi uma longa e tormentosa jornada de debates. E no final, três deputados que haviam dito que votariam contra o aborto mudaram estranhamente de ideia e apoiaram a legalização da morte dos bebês antes de nascer. Muitos na Argentina se indignaram. E os políticos argentinos perceberam o quão perigosa é a indignação do povo de bem.

 

Pelo regulamento parlamentar argentino, esse mesmo projeto deveria receber a aprovação da Câmara dos Senadores, a qual tem uma forma de composição distinta. Os deputados são eleitos de acordo com quantidades de pessoas que vivem em um território: a Província de Buenos Aires conta com 35 deputados federais, enquanto Tucumán, uma das menores províncias do país, tem 9. Os senadores, no entanto, são eleitos em número igual em cada província, ou seja, Buenos Aires e Tucumán têm 3 senadores cada uma. É o que se chama “representação territorial”. Isto faz com que a forma de representar o povo seja diferente em cada Câmara.

 

Depois da aprovação dos deputados, os pró-vida tinham um desafio: convencer a maioria dos 72 senadores a reprovar o projeto de lei. Não parecia fácil, mas então começou algo que não se havia visto na Argentina. Um advogado, Martín Zeballos, acunhou no jornal El Clarín uma frase que se repetiu muito: “a Argentina tinha um gigante adormecido que se despertou... e que tem um lenço celeste”. Isto em referência à simbologia dos que defendem a vida: o lenço celeste, como a cor da bandeira da Argentina. Os que querem o aborto usam um lenço verde, a mesma cor das notas de dólar... um erro estratégico que demonstra que “o demônio está nos detalhes”. Além disso, se expandiu um lema genial: “salvar as duas vidas”, a da mulher e a de seu filho.

 

Os pró-vida começaram a dar-se conta que deviam atuar como protagonistas políticos. Deram-se conta que seus senadores atendem às quantidades de votos em cada província e começaram a fazer valer o peso de seus votos. Inicialmente, muitos pensavam que o aborto se tratava de um problema moral ou um problema científico, ou seja, saber que a vida começa na concepção e que as leis devem protegê-la, mas depois de mais de 400 exposições de advogados, médicos, biólogos e até jornalistas que foram falar no Congresso nas comissões de trabalho, começou a se tornar evidente que muitos legisladores tinham outros motivos para tomar sua decisão.

 

Então se despertou o gigante adormecido. Os pró-vida começaram a dizer aos senadores de suas províncias: “Se votas a favor do aborto não votarei mais em ti nas eleições”. E a estratégia começou a dar resultados, sobretudo porque as próximas eleições são em 2019 e muitos desses senadores querem ser reeleitos como senadores ou como governadores de suas províncias. E então a pressão política dos pró-vida, antes inexistente, ganhou muita força.

 

E como se fosse um milagre, um a um, pouco a pouco, os senadores foram reconhecendo que o projeto dos deputados estava “mal feito” e que eles voltariam para reprovar essa lei: ia crescendo a onda para que o aborto continue sendo ilegal na Argentina. Inclusive os jornais mais importantes do país, El Clarín e La Nación, reconheciam que o aborto estava derrotado antes de começar o debate e a votação. O milagre foi fruto de muito trabalho dos pró-vida de muita mobilização do povo simples, mas, mais que tudo, de tomar consciência do poder que os cidadãos têm em uma sociedade democrática e que esse poder se exige, não se pede ‘por favor’. Então a rua já não foi, durante essas semanas, o lugar das manifestantes da esquerda, mas os pró-vida ocuparam esse espaço, esse lugar, para exigir civilizadamente que não haja lei de aborto. E o objetivo se cumpriu. Depois da dura derrota em Dublin, a Argentina mudou o eixo do debate sobre o aborto e deu o exemplo de que o povo pode parar a onda anti-vida mundial... com pouco dinheiro, mas com muita vontade e com ideias claras.

 

O “gigante adormecido” dos pró-vida argentinos ficará acordado e ativo. São muitas as pessoas que já não querem abandonar a batalha na política, nas ruas. Os grupos que se armaram para fazer lobby contra o aborto já estão estudando a forma de mudar outras leis antivida. O próximo desafio será o novo Código Penal, que se estudará em breve. Mas também deixaram uma mensagem clara para os políticos: “estaremos atentos e só votaremos em políticos que digam que defendem a vida e o cumpram”. O cenário político argentino mudou para sempre. Ser pró-vida nunca mais será um tema de pouca importância. E logo veremos mais e mais senadores e deputados pró-vida.

 

Mas essa vitória também é uma mensagem muito clara para o resto da América Latina. Os demais movimentos pró-vida estiveram atentos e solidários com os argentinos. E agora já sabem do que é capaz o povo pró-vida quando se põe em marcha. O Population Research Institute (PRI) acompanhou ativamente este processo. Seus escritórios na América Latina e na Europa e especialmente a nova Divisão, RELEASE, tiveram um papel muito importante nesta batalha na Argentina. Muitos grupos e pessoas no país encontraram em nossos conselhos e análises o caminho para construir o êxito. Agora o próprio PRI se põe em primeiro lugar para imitar o modelo, para que esta grande vitória se converta em um novo alento para que todos os que defendem a vida e a família se animem a levantar sua voz e não tenham medo dos que querem impor a cultura do politicamente correto.

 

Como digo, uma grande vitória para vida e a família. Nós pudemos fazer parte dela. Gracias argentinos.

 

[ D'Vox ]

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Carlos Beltramo é diretor da Escritório da Europa do Population Research Institute.

 

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