Mais de 7 mil argentinos pró-vida batem às portas de Macri para pedir: 'presidente, cumpra sua palavra'

01.08.2018

 

A 'onda celeste' – como é conhecido o multitudinário movimento popular a favor da vida na Argentina – chegou até a residência oficial do presidente Mauricio Macri, bateu à porta e deixou um recado: "senhor presidente, cumpra sua palavra e não seja cúmplice da legalização do aborto no país".

 

Mais de 7 mil argentinos se concentraram na avenida Maipú, no cruzamento com a Rua Julio Roca, de Buenos Aires, às 19 horas da segunda-feira, dia 30 de julho, para dali dirigirem-se à Residência Presidencial de Olivos, a um quilômetro de distância.

 

A multidão parou diante da casa de Macri por quase duas horas para entregar-lhe uma carta em nome dos milhões de argentinos que nos últimos meses, ao longo do território nacional, manifestaram publicamente seu repúdio à tentativa de impor uma lei que permite o descarte impune de bebês em gestação.

 

"Pedimos coerência e coragem ao presidente Mauricio Macri que, na campanha e em repetidas ocasiões já no cargo, reconheceu que há vida desde a concepção e disse que seu governo a protegeria", explicou ao D'Vox Alejandro Geyer, coordenador da organização Marcha pela Vida.

 

Um porta-voz da plataforma Unidade Pró-vida, que agrega dezenas de organizações cidadãs, sublinhou a este diário que solicitaram expressamente que o Poder Executivo não intervenha na votação do próximo dia 8 de julho no Senado, para que os parlamentares votem livremente e seguindo a própria consciência.

 

 

A solicitude não é gratuita. Obedece ao escândalo que gerou a descarada e decidida intervenção do ministro da Saúde, Adolfo Rubinstein, no processo legislativo manobrado a favor dos abortistas.

 

O funcionário divulgou números inflados de abortos provocados e mortes maternas por tal prática no país. Modificou os números em diversas ocasiões sem oferecer nenhuma referência estatística.

 

Mentiu também assegurando que o juramento hipocrático já não é feito "há muitos anos" com os novos médicos e foram revelados recentemente seus vínculos com organizações internacionais abortistas.

 

Esta atuação foi realizada a pesar de que o presidente Macri tenha prometido que nem ele nem os membros de seu governo interviriam no debate, não influenciariam nem para um lado nem para o outro.

 

Mas o mandatário descumpriu essa promessa tanto quanto aquela na qual, na campanha e ao início de sua administração, assegurou que protegeria o direito à vida dos nascituros.

 

Além de ter sido ele quem abriu as portas do debate para a legalização, há testemunhos de que ele interveio através de emissários para favorecer o voto a favor do projeto de lei e se suspeita que tenha ‘comprado votos’ nas eleições para Deputados através da transferência de recursos a uma Província.

 

A votação no Senado está muito disputada, mas 35 dos 72 parlamentares manifestaram que darão um voto pró-vida e a presidente da casa, que vota apenas em caso de empate, é também contrária ao aborto. Daí a exigência dos manifestantes para que Macri cumpra sua palavra – pelo menos desta vez – e não intervenha.

 

À manifestação na Residência de Olivos compareceram majoritariamente famílias inteiras e jovens, muitos jovens, portando lenços azuis com o lema "salvemos as duas vidas" e portando bandeiras da Argentina.

 

De forma irônica El Clarín intitulou sua notícia sobre o ato da seguinte forma: "Vizinhos ‘pró-vida’ protestaram em frente à Quinta de los Olivos", e informou que estiveram presentes apenas pouco mais de mil pessoas. As duas afirmações são mentiras. Os registros gráficos as desmentem.

 

 

"Saímos, senhor presidente, quando podemos, sem nenhuma recompensa em dinheiro, ninguém nos obriga. Saímos em família, com nossos filhos, nossos pais e nossos avós, em completa ordem e respeito. Saem os jovens com seus lenços azuis-celestes depois de terem ido ao colégio, porque não vão ao colégio para 'ocupá-lo', mas para estudar", disse Geyer em um breve discurso dirigido a Macri às portas de sua residência oficial.

 

"Senhor presidente, as duas vidas estão em perigo. A da mulher e a da criança. O que lhes ameaça se chama aborto, ainda que queiram disfarçar com outros nomes, é assassinar uma criança no ventre materno, e isso é pior que uma guerra", pontuou.

 

"Na guerra, o soldado tem uma arma e pode defender-se, a criança que está para nascer não, está indefeso; na guerra a mãe sofre, chora e reza por seu filho que está na frente de combate, no aborto a mãe não reza, não espera, decide matar seu próprio filho; na guerra o médico faz até o impossível para salvar a vida dos feridos, no aborto se converte em verdugo de crianças e viola o juramento que fez, que fizeram e fazem todos os médicos, ainda que haja algum ministro de memória fraca ou má intenção que negue isso", disse.

 

"Viemos até sua casa para pedir-lhe apenas duas coisas: coerência e coragem. [...] Você disse que há vida desde a concepção, pois essa vida é a de um compatriota seu ao qual você deve defender; [...] defenda-a de grupos minoritários, de grupos de pressão, de interesses econômicos que buscam lucrar com a morte de inocentes. Você também é presidente da criança que está para nascer".


A multidão aplaudia e aclamava em coros: "Sim à vida, senhor presidente; não ao aborto, lhe pede o povo".

 

 

'Casualmente' Macri não estava no local. No entanto, a segurança foi reforçada. A carta dos manifestantes foi recebida por funcionários.

 

O debate sobre a legalização do aborto até a décima quarta semana de gestação, sob qualquer motivo, e até o nono mês em três amplas condições, conclui hoje, 31 de julho, no Senado, e na quarta-feira, 1º de agosto, será assinado o ditame do projeto que chegou com a metade da aprovação da Câmara dos Deputados.

 

Uma outra marcha foi convocada, agora no Congresso da Nação, para o dia 8 de agosto, às 19 horas, quando os senadores votarão sobre a polêmica iniciativa que dividiu o país.

 

[ D'Vox ]

 

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