OEA condena a repressão do regime sandinista e pede o adiantamento das eleições

19.07.2018

O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou, nesta quarta, 18 de julho, uma resolução que condena a violenta repressão exercida pelo regime autoritário de Daniel Ortega e o exorta a aprovar um calendário eleitoral que antecipe as eleições presidenciais.

 

A OEA lançou uma "enérgica condenação por todos os atos de violência, repressão, violações de direitos humanos e abusos, incluindo aqueles cometidos pela polícia, batalhões de choque e outros protagonistas das atrocidades contra o povo da Nicarágua", pediu que fossem identificados os responsáveis através de procedimentos legais correspondentes e exigiu o desmantelamento dos grupos de paramilitares.

 

Também condenou "os ataques contra o clero, o assédio aos bispos católicos que participam do Diálogo Nacional e os atos de violência na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN), a sede da Caritas e outros manifestantes pacíficos".

 

O texto solicita que o governo sandinista "apoie um calendário eleitoral feito em acordo conjunto no contexto do processo do Diálogo Nacional".

 

O Diálogo Nacional ao que se refere a resolução é uma mesa de interlocução que se instalou em meados de maio para encontrar uma solução à crise política com a participação do governo e de diversos setores da sociedade que insurgiram pacificamente contra Ortega.

 

As manifestações contra o regime sandinista iniciaram em 20 de abril como reação da população à brutal repressão exercida pelas forças do governo e grupos paramilitares contra os participantes de um protesto pacífico realizado um dia antes em Manágua e Masaya, bastião sandinista, em desacordo com uma reforma ao sistema previdenciário. De 19 a 21 de abril foram assassinadas 30 pessoas e o repúdio a Ortega se tornou incontrolável.

 

Em três meses de protestos, o número de vítimas é de pelo menos 362. No fim de semana de 14 e 15 de julho, uma menina de dez anos morreu no município de Catarina por um disparo no abdômen, e em Diriá um pai de família e seu filho, líderes cívicos, foram retirados à força de suas casas e executados.

 

Os bispos propuseram antecipar as eleições presidenciais de 2021 para 2019, mas Ortega se nega a aceitar e difunde a narrativa de que quem realiza protestos públicos e assassina é a "direita terrorista e imperialista" que quer debilitar seu governo e alimentar o caos. A realidade é outra. Uma montanha de cadáveres está ali para desmenti-lo.

 

A resolução da OEA foi proposta por sete países: Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Peru e Estados Unidos e apoiada pelo México.

 

Foi aprovada por 21 votos a favor: Colômbia, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Santa Lúcia, Uruguai, Antígua e Barbuda, Argentina, Bahamas, Brasil, Canadá e Chile.

 

Houve três votos contrários: Nicarágua, São Vicente e Granadinas e Venezuela. E 7 abstenções: El Salvador, Granada, Haiti, Suriname, Trindade e Tobago, Barbados e Belize. Três países estavam ausentes: Dominica, São Cristóvão e Névis e Bolívia.

 

Você pode ler aqui, completa, a resolução da OEA. (d'vox)

 

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