O Foro de São Paulo apoia o banho de sangue de Ortega

20.07.2018

O Foro de São Paulo, a maior plataforma de articulação da esquerda do continente americano, deu sua aprovação à violenta ação repressiva que o governo de Daniel Ortega exerce sobre o povo nicaraguense. O banho de sangue deixou, em apenas três meses, um saldo aterrorizante: pelo menos 362 vítimas.

 

Para a organização que integra a mais de uma centena de instituições comunistas, socialistas ou 'progressistas' da região – entre as quais está a Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN) – a montanha de mortos sobre a qual se assenta o ditador Ortega é produto de uma ação de "grupos terroristas da direita golpista".

 

A declaração final do XXIV Encontro do Foro, realizado em Havana de 15 a 17 de julho, dedica um parágrafo à situação do país centro-americano e, na íntegra, diz:

 

"Rejeitamos de forma enérgica a política intervencionista dos Estados Unidos nos assuntos internos da Nicarágua sandinista, país no qual se está implementando a fórmula que vem sendo aplicada pelo imperialismo norte-americano aos países que não respondem a seus interesses hegemônicos, causando violência, destruição e morte mediante a manipulação e a ação desestabilizadora dos grupos terroristas da direita golpista, que boicotam a busca do diálogo".

 

Para o Foro "o diálogo constitui o melhor caminho para superar a crise atual e alcançar a paz, indispensável para a continuação do processo de transformações sociais impulsionado pelo FSLN desde o governo presidido pelo Comandante Daniel Ortega e que reduziu de maneira notável a pobreza e a desigualdade social neste país irmão".

 

A manipulação das palavras e da realidade é incrível. A narrativa vitimista não consegue sustentar-se em pé nem um minuto se se observam os fatos que, além do mais, foram amplamente divulgados.

 

 

O que há na Nicarágua é a massiva oposição do povo ante o autoritarismo e a brutal violência exercida por Ortega e sua esposa, que estão no poder – pela segunda vez – há mais de uma década.

 

Depois de haver governado de 1984 a 1990, o sandinista chegou de novo à máxima magistratura do país em 2006, e a 'onda vermelha' impulsionada pelas articulações montadas pelo Foro de São Paulo desde 1990 e que começaram a dar frutos em 1998 na Venezuela.

 

A relativa paz com que se desenvolveram os primeiros anos de seu governo se quebrou em 19 de abril, quando uma manifestação contra as mudanças propostas ao sistema previdenciário foi reprimida com violência e deixou mortos. Isto levou às ruas, no dia seguinte, centenas de milhares de pessoas. Em uma semana havia já um movimento generalizado – com todos os setores sociais – pedindo a renúncia do presidente.

 

Em três meses as vítimas somam já 362. Os manifestantes não estão armados; a polícia e os paramilitares leais ao governo, sim.

 

No domingo, dia 15, enquanto iniciava o XXIV encontro do Foro de São Paulo e se dirigiam louvores e palavras de solidariedade aos verdugos sandinistas, na Nicarágua foram assassinadas pelo menos 11 pessoas, entre elas uma menina de 10 anos no município de Catarina, e um pai e seu filho, que foram executados na porta de sua casa em Diriá.

 

Tais crimes – realizados por sandinistas – são vistos pelo Foro como apenas uma armação. Quando a esquerda mata, não conta. (d'vox)

 

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