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Os 'dribles' de López Obrador

18.07.2018

 

Duas semanas após sair vencedor nas eleições, Andrés Manuel López Obrador começou a jogar como presidente em funções - a pesar de que a pose será em dezembro - e a 'driblar' politicamente. Para o consumo geral, ou seja, para a tribuna, lançou uma agenda legislativa dirigida abertamente ao controle dos pressupostos e a aumentar sua popularidade.

 

E para os pontos principais, os táticos, tomaram a frente alguns dos mais experientes políticos com os quais conserva a mesma afinidade ideológica desde que militavam no PRI.

 

As formas ressaltam o fundo nos anúncios dessas agendas.

 

Para a primeira, reuniu todos os legisladores federais eleitos (senadores e deputados) e ele fez os anúncios: uma série de medidas reiteradas como promessas de campanha entre as quais se encontram a redução de salários de altos funcionários e “eliminação de privilégios”; reforma para considerar como delitos graves a corrupção de servidores públicos; o roubo de gasolina perfurando os dutos ('huachicoleo', se chama no México) e a fraude eleitoral.

 

Além disso, eliminar o foro privilegiado em todos os níveis; garantir educação gratuita a todos e até mesmo uma lei de consulta de revogação de mandato do Presidente da República.

 

Poucas reformas relevantes para o novo Governo foram anunciadas: a criação da Secretaria de Segurança Pública (abrogada no atual governo priista); tirar a guarda militar do presidente, chamada Estado Maior Presidencial e que se reintegre ao Exército.

 

O único anúncio de grande importância foi a modificação ou revogação da reforma educativa. A incerteza de como e com quem se fará continua sendo o ponto prevalecente.

 

Por um acordo com o atual presidente, Enrique Peña Nieto, a equipe do vencedor influirá no projeto do pressuposto governamental do próximo ano.

 

E para isso, López Obrador começa a usar figuras jurídicas não existentes, pois designou coordenadores estatais federais, ou seja, uma espécie de 'vice-reis' que autorizarão os recursos federais em cada estado.

 

Para a segunda agenda, a de fundo, os emissários e a mensagem já foram selecionados.

 

Para a reforma cultural, legalização das drogas, da eutanásia e a despenalização do aborto, a porta-voz tem sido Olga María del Carmen Sánchez Cordero de García Villegas, ex-ministra da Suprema Corte de Justiça da Nação, creditada com uma longa trajetória nos âmbitos legais no país.

 

Politicamente militou com os liberais do velho sistema priista, alguns deles promotores de certos movimentos 'progressistas', como os atuantes no movimento de 1968.

 

No México, esse fenômeno se inscreveu como parte de uma corrente internacional reivindicatória de mudanças e localmente se enquadrou em um pleito entre os grupos da chamada Família Revolucionária.

 

E para as mudanças políticas de fundo, mudança de regime e mudança de sistema, o porta-voz tem sido uma das figuras provenientes do velho sistema priista: Porfirio Muñoz Ledo.

 

Junto com Cuauhtémoc Cárdenas, Ifigenia Martínez, López Obrador e outros militantes de uma corrente priista postuladora do nacionalismo revolucionário – a esquerda dentro do sistema, para dizer claramente – Muñoz Ledo fraturou o Partido Revolucionario Institucional (PRI) há exatamente 30 anos em uma sucessão presidencial.

 

Nesse momento, se tratava de uma luta por um projeto de nação contra dos neoliberais, liderados por Carlos Salinas de Gortari.

 

Agora o poder com um dos seus, Muñoz Ledo deixou claro: virá uma nova República e uma nova Constituição. Se não disse ainda, é por tática, destacou.

 

“A nova República depende de um novo projeto constitucional, Andrés está convencido disso. Mas tem que criar as condições até meados de seu mandato. Ainda falta fazer uma revisão integral da Constituição ou a convocação de uma Constituinte. Agora não tem condições”, disse e uma entrevista.

 

Muñoz Ledo, que será deputado federal pelo Morena, a partir de 1º de setembro, propõe as táticas. A primeira é transformar o Poder Legislativo antes da tomada de posse de López Obrador, em 1º de dezembro. “A reforma da República passa pela reforma do Congresso”, sentenciou.

 

E outra, de brilho pessoal. Quer ser ele quem colocará a faixa presidencial em López Obrador na cerimônia de 1º de dezembro. Esse seria o símbolo da reivindicação histórica dos liberais revolucionários provenientes do velho sistema. Cuauhtémoc Cárdenas e Ifigenia Martínez, as outras figuras emblemáticas, já se reagruparam com López Obrador.

 

Sobre o novo modelo de Constituição, esse grupo já teve um primeiro fruto: a da Cidade do México, aprovada em janeiro do ano passado, definida como uma Constituição de esquerda, liberal.

 

Duas das figuras constituintes foram Porfirio Muñoz Ledo e Olga María del Carmen Sánchez Cordero de García Villegas.

 

Em breve, veremos o que farão.

 

[ D'Vox ]

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Héctor Moreno Valencia é jornalista. Trabalhou no Grupo Reforma e na agência de notícias Notimex. Fundou o diário Mural em Guadalajara, do qual hoje é colaborador. É autor de vários livros, entre eles, Sangre de Mayo. El homicidio del Cardenal Posadas, com coautoria de Alberto Villasana. É consultor e editor do serviço de análise Mochila Política.

 

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