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O que se pode esperar de López Obrador?

 

 

Mochila Política 50  - Madri | O que se pode esperar do governo de López Obrador? A pergunta é difícil e a resposta que segue é apenas uma especulação baseada nos poucos dados iniciais e em padrões de conduta comparáveis.

 

A primeira coisa que se pode afirmar com segurança é que o México não irá se 'venezualizar', a pesar dos maus augúrios dos 'anti-pejes' [como se sabe, López Obrador é chamado coloquialmente em seu país de 'el Peje', que significa 'peixe']. E a pesar ainda do acúmulo de poder no Congresso, Senado e nos governos dos Estados é provavelmente um dos maiores da história.

 

É verdade que o chavismo tem estado monitorando ao Movimento Regeneração Nacional (Morena) e que tanto Cristina Kirchner como Nicolás Maduro e Pablo Iglesias apoiaram Obrador. Mas também é verdade que o México tem 3 mil quilômetros de fronteira com os Estados Unidos e que – bem ou mal – há instituições que ainda funcionam.

 

Contudo, os check & balances mais seguros são a sociedade civil. E no México, tanto a patronal Coparmex como a Igreja tem sido leais e respeitosas, mas não se juntaram ao “beija-mãos”.

 

Uma vez descartado o modelo venezuelano, cabe preguntar-se que modelo seguirá o presidente Obrador. O 'modelo argentino' é inviável porque os Kirchner estabeleceram um simples mecanismo de compra de votos em troca de ordenhar a Argentina sem decência alguma. Obrador 'vende' regeneração e luta contra a corrupção. Com certeza não será puro e sem mancha. No entanto, fazê-lo por meio de um modelo similar ao kirchnerismo seria muito vulgar.

 

Na minha opinião, o modelo mais parecido é o nicaraguense do segundo presidente Ortega ou o mais longínquo, em tempo e em espaço, de Felipe González. Ortega estabeleceu um sistema de controle absoluto do poder com acordos com a Igreja e com empresários. O resultado, até o último mês de abril, foi de 11 anos de crescimento econômico e estabilidade política e social.

 

Por sua parte, Felipe González herda um país agitado pela transição política que fez retroceder uma década de desenvolvimento. Coube a ele modernizar o país: impulsionar a reforma industrial, criar infraestruturas básicas, implantar um modelo tributário moderno com bases fiscais alargadas. Um equilíbrio positivo com a grande sombra de corrupção e a obsessão por “fazer que a Espanha não a reconhecesse nem a mãe que a pariu”, como disse Alfonso Guerra. A saber: perseguição à educação religiosa e o aborto, principalmente.

 

No caso de Obrador, creio que o ponto principal de sua atividade se centralizará nas reformas econômicas. Apoderar-se da empresa estatal Pemex, ninho de corrupção sistêmica, e começar a construir refinarias próprias. É uma vergonha para a nação que um país petrolífero tenha que deixar que outros explorem suas reservas.

 

Ainda acrescente 'ajustes' fiscais para que os que mais tem paguem mais.

 

Desde o ponto de vista social elevará o salário mínimo e estabelecerá abonos para idosos e estudantes. Medidas de corte social, mas também económico. Se o México conseguir elevar seu nível de preparo profissional será mais competitivo no mundo. Entretanto, se uma parte mais elevada da população aumenta seu poder aquisitivo, se incrementará o consumo, elevando a demanda interna.

 

Provavelmente apenas estas pequenas medidas podem alcançar grande parte do crescimento dos 4 por cento ao ano que havia prometido.

 

É um fato que não vai eliminar a corrupção. Mas é muito fácil que roube menos que seus antecessores. Esse diferencial é dinheiro que permanece na sociedade, gerando eficiência e melhorando a economia produtiva.

 

E é lógico, se além de seu compromisso pessoal estabelecesse mecanismos de controle – os check & balances – sua promessa seria mais confiável.

 

Em matéria de Segurança – grande problema nacional – seria muita tolice se não pedisse apoio aos Estados Unidos – mesmo que às escondidas – seguindo o modelo do 'plano Colômbia'. Porém, 'mexicanizado', com espaços de impunidade para os narcos que não descontrolem o país como na era Calderón. Aos Estados Unidos também interessa controlar seu 'quintal' que se tornou agora uma espécie de 'estado falido'. E isso não impede a nenhum dos dois de manter em alta a agressividade verbal entre os seus.

 

A única incógnita – a meu ver – é o papel de Olga Sánchez Cordero, a ativista judicial extremamente ideologizada. Já lançou seus 'balões-sonda' sobre a legalização da maconha e da eutanásia. Há quem pensa que também irão legalizar o aborto em todo o México. Em minha opinião, são só 'balões-sonda' para medir o nível de oposição social. Sánchez Cordero irá tão longe quanto o povo lhe deixar ir.

 

Para quê? O que importa a Obrador a respeito desta agenda ideológica? Em minha opinião, nada. Não é sua agenda e não é sua prioridade. A única explicação razoável é o pedágio que pagou – sem tanto incômodo, certamente – como parte do possível pacto com o sistema. A 'teoria da conspiração' mostra que seu partido Morena e o Partido Revolucionário Institucional (PRI) fizeram acordo nas eleições do Estado do México e que isso explica porque Obrador não incendiasse o país quando sua candidata – Delfina, favorita nas pesquisas – perdeu para o PRI. E explicaria também que o PRI teria optado por um candidato sem chances de ganhar.

 

Por último, há muitos rumores que apontam que Obrador propiciará uma reforma Constitucional para se reeleger. Se os astros se alinharem como pretendem e seu governo conseguir um crescimento de 4 por cento ao ano com criação de emprego e bolsa social, com certeza o fará até o final do mandato de seis anos. O argumento? A demanda social. Como fez também Uribe na Colômbia.

 

Se o Partido Ação Nacional (PAN) continuar em 'guerra civil' e o PRI se mantiver lambendo suas feridas, haverá Morena “até que a morte nos separe”...

 

Definitivamente: reforma industrial, ajuste fiscal, abono social, crescimento econômico, controle político para perpetuar-se no poder e toda a engenharia social que lhe deixarmos construir.

 

[ D'Vox ]

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Luis Losada Pescador é jornalista, graduado em economia e editor de campanhas da plataforma CitizenGo na América Latina.

 

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